Colóquio 2008

 

XIII COLÓQUIO HEIDEGGER, "Natureza e realidade virtual"

(Unicamp, Auditório do CWSP,  30 de outubro de 2008, das 09h00 às 17h00, 31 de outubro de 2008,das 09h00 às 11h30)

 

Promoção:

PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM FILOSOFIA – UNICAMP

SOCIEDADE  BRASILEIRA DE FENOMENOLOGIA  – SEÇÃO SÃO PAULO

GRUPO DE PESQUISA EM FILOSOFIA E PRÁTICAS PSICOTERÁPICAS – GFPP

GT HEIDEGGER DA ANPOF

  

 

 

Coordenador Geral 

Oswaldo Giacoia Júnior

 

 

 

Coordenadores Adjuntos

José Carlos Michelazzo

Eder Soares Santos

   

 

  

 

PROGRAMAÇÃO – CONFERÊNCIAS  E  COMUNICAÇÕES  

 

QUINTA-FEIRA: 30/10/2008 (Unicamp)

09h00 – Abertura

Oswaldo Giacoia Junior (UNICAMP)

 

09h15 – Conferência 1

André Duarte (UFPR/CNPq), “A natureza tecnicamente produzida e seus riscos: da fabricação à destruição tecnológica dos humanos”

 

10h15 – Intervalo

 

10h30 – Sessão de Comunicações I

Luciano Campos dos Santos (UNICAMP), “Considerações sobre os aspectos éticos do humanismo pós-metafísico de Heidegger”

Fernando Rodrigues (UNICAMP), “A posição de Heidegger sobre a diferença entre animais e humanos”               

Moderador: Edgar Lyra (PUC-Rio)

 

12h00 – Almoço

 

14h00 – Sessão de Comunicações II

Thiago Carreira Alves Nascimento (UFSM), “Referência, Conformidade e Significatividade em Ser e Tempo”             

Juliana Mezzomo (UFSM), “Totalidade e diferença ontológica”              

Moderador: Edgar Lyra (PUC-Rio)

 

15h15 – Conferência 2

Zeljko Loparic (PUCSP/Unicamp), “O natufactual, o artefactual e o criado” 

 

17h00 – Fim da Sessão 

 

SEXTA-FEIRA: 31/10/2008 (Unicamp – manhã) 

09h00 – Conferência 3

Marco Antônio Casanova (UERJ), “A maquinação virtual e o caráter incondicionado da vontade técnica”                                   

 

10h00 – Conferência 4

Róbson Ramos dos Reis (UFSM), “Organismos, máquinas e a máquina lingüística”

 

11h30 – Encerramento do Colóquio na Unicamp

 

 

SEXTA-FEIRA: 31/10/2008 (Auditório do CWSP - tarde)

13h30 – Cadastramento

 

13h50 – Abertura

 

14h00 – Conferência 1

André Duarte (UFPR/CNPq), “A natureza tecnicamente produzida e seus riscos: da fabricação à destruição tecnológica dos humanos”             

 

15h00 – Conferência 2

Zeljko Loparic (PUCSP/Unicamp), “O natufactual, o artefactual e o criado”

 

16h00 – Intervalo

 

16h30 – Conferência 3

Marco Antônio Casanova (UERJ), “A maquinação virtual e o caráter incondicionado da vontade técnica”

 

17h30 – Conferência 4

Róbson Ramos dos Reis (UFSM), “Organismos, máquinas e a máquina lingüística”    

 

18h30 – Encerramento do Colóquio no CWSP    

 

 

RESUMO E MINI-CURRÍCULO

André Duarte (UFPR/CNPq)

“A natureza tecnicamente produzida e seus riscos: da fabricação à destruição tecnológica dos humanos”

Resumo: Com o advento da realidade virtual, proporcionada pela técnica moderna, a antiga associação ontológica entre natureza e realidade, em vista da qual o caráter ontológico da Vorhandenheit prevaleceu ao longo da história da ontologia, perdeu completamente sua razão de ser. Na era da técnica, pensada por Heidegger como o horizonte do desocultamento do ser na modernidade, natureza e realidade virtual tornaram-se domínios entitativos ontologicamente indistintos. Isto significa que já não faz sentido pensar o homem como ente do domínio ontológico da natureza, visto que tanto a produção quanto a destruição do ente natural dão-se de maneira eminentemente técnico-científica, como se confirma nas possibilidades contemporâneas da fabricação laboratorial do homem e de sua aniquilação em massa. Heidegger buscou responder ao risco supremo da  des-essencialização do homem na era da técnica ao propor a seguinte questão: como tornar-se mortal na era da técnica?

Mini-currículo: Graduado em Ciências Sociais (1988) pela Unicamp, Mestre (1992) e Doutor (1997) em Filosofia pela Universidade de São Paulo e Pós-Doutor pela Universidade de Barcelona como bolsista do CNPq (2003). Atualmente é pesquisador bolsista do CNPq e atua nos Programas de Graduação e Pós-Graduação em Filosofia da Universidade Federal do Paraná (UFPR). É coordenador do GT Heidegger associado à ANPOF e líder do Grupo de Pesquisa em Ontologia, Fenomenologia e Hermenêutica cadastrado no CNPq. Publicou pela Editora Paz e Terra O Pensamento à sombra da ruptura: política e filosofia em Hannah Arendt (2000). Entre suas publicações mais recentes se incluem: “Heidegger y el Otro: Ser y Tiempo como ética postmetafísica”. In Daímon, vol. 37, Revista de Filosofía de la Universidad de Murcia, 2006; “Hannah Arendt, biopolitcs and the problem of violence: from animal laborans to homo sacer”. In Hannah Arendt and the uses of history: Imperialism, Nation, Race and Genocide (orgs.) Richard King e Dan Stone. Nova York e Oxford : Berghahn Books, 2007. 

 

 

Edgar Lyra (PUC-Rio)

 “Técnica e realidade virtual: Heidegger e Pierre Lévy”

Resumo: “Realidade virtual” é um termo de pujante circulação na linguagem contemporânea.  Traz implícita uma relação com o que seria a “realidade em si mesma”, portanto, com o problema central da metafísica. Tal sedimentação lingüística é, ao mesmo tempo, índice do atual empenho no aprimoramento das simulações e da dificuldade de compreensão do que está efetivamente em jogo nesse desenvolvimento. Fato é que o avanço da virtualização não se regra pela avaliação de suas implicações profundas, impondo-se como uma espécie de destino a que nada pode se opor. Heidegger não se debruçou pontualmente sobre o tema, como o fez, por exemplo, Pierre Lévy, seu leitor e crítico; mas foi o pensador que mais profundamente se interrogou sobre o sentido da era técnica. A tarefa deste trabalho é estender a interrogação de Heidegger ao fenômeno recente virtualização, tendo como contraponto os escritos de Lévy, em especial, O que é o Virtual?

Mini-currículo: Doutorou-se em filosofia pela PUC-Rio (2003). Foi representante dos alunos de pós-graduação, inaugurando as Semanas de Filosofia (SAF-PUC), hoje em sua oitava edição. Leciona regularmente no Departamento de filosofia da mesma Universidade e também no Departamento de Relações Internacionais do IBMEC-RJ. Ocupa-se prioritariamente dos possíveis modos de ser do pensamento filosófico no mundo técnico. Entre as atividades desenvolvidas está a tradução do texto de Martin Heidegger, Que quer dizer Pensar? (GA 8) e pesquisas com o uso de tecnologias em sala de aula. Tem como publicações principais os artigos "Superação da Metafísica, Realidade Técnica e Espanto" e "Heidegger, História e Alteridade", ambos in Natureza Humana (n° 5.1, 2003) e (n° 8.2, 2006), respectivamente, e "Heidegger e a Educação", in Aprender (n° 10, 2008).  

 

 

Ligia Saramago (PUC-Rio) 

“Através do espelho ou sobre a natureza do virtual”

Resumo: O caráter mimético, a artificialidade e o distanciamento da realidade efetiva são apenas alguns dos inúmeros atributos comumente endereçados à chamada realidade virtual, que então é tomada como um contraponto inferior da natureza, ou mesmo do mundo, compreendido – tal como o concebe Heidegger – como lugar mesmo da existência. Este trabalho buscará investigar a dimensão de realidade, ou de irrealidade, inerente à virtualidade tanto na arte como na própria natureza, situando esta investigação no interior da questão mais ampla da representação, tal como esta é elaborada no pensamento de Martin Heidegger. O que será visado aqui é a identificação de elementos neste pensamento que não apenas antecipem algumas das questões que se nos colocam hoje acerca desta temática, mas, principalmente, que abram possibilidades mais profundas de compreensão da natureza do virtual. 

Mini-currículo: Graduou-se em Arquitetura e Urbanismo pela Universidade Santa Úrsula (1981), no Rio de Janeiro. Concluiu o curso de Especialização em Filosofia Contemporânea na PUC-Rio (1996) e o Mestrado em Filosofia (1998–2000) nesta mesma universidade, obtendo o título de mestre com a dissertação A Habitação Poética do Homem. Ainda na PUC-Rio concluiu o Doutorado em Filosofia (2001–2005), obtendo o título de doutor com a tese A “topologia do ser”: lugar, espaço e linguagem no pensamento de Martin Heidegger. É professora de Estética na PUC-Rio, tendo trabalhado como arquiteta, designer e artista plástica, com exposições individuais e coletivas no Brasil e no exterior. É membro do GT Heidegger e vem participando regularmente de diversos congressos e seminários. Suas pesquisas envolvem filosofia do espaço, estética e artes plásticas e arquitetura. 

 

 

Marco Antônio Casanova (UERJ)

“A maquinação virtual e o caráter incondicionado da vontade técnica”

Resumo: O objetivo do presente texto é apresentar a concepção heideggeriana do termo maquinação, tal como essa concepção se encontra expressa no texto Contribuições à filosofia (Do acontecimento apropriativo), mostrando ao mesmo tempo em que medida essa concepção se articula com a construção de uma estrutura de domínio virtual que elimina toda possibilidade da existência de condicionamentos empíricos. Nosso interesse fundamental, portanto, é partir da maquinação para a noção de vontade incondicionada ou de vontade de vontade. Três serão os momentos do texto: maquinação e funcionalidade: da téchne à técnica; a construção do mundo virtual; metafísica e controle: a subjetividade incondicionada da vontade de vontade. 

Mini-currículo: Doutor em filosofia pela Universidade Federal do Rio de Janeiro e pela Universidade Karl-Eberhard Tübingen (1999). Pós-doutorado na Universidade Albert-Ludwig Freiburg (2005-2006). Professor adjunto do departamento de filosofia da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (desde 1995). Vice-presidente da Sociedade Brasileira de Fenomenologia e Hermenêutica (desde 2004). Coordenador brasileiro do projeto de cooperação internacional “Questões fundamentais da hermenêutica filosófica: arte, ciência e política” firmado entre a UERJ,  a PUCRS e a Universidade Albert-Ludwig Freiburg. Livros publicados: Nada a caminho: impessoalidade, niilismo e técnica na obra de Martin Heidegger (Editora Forense Universitária, 2006); O instante extra-ordinário: vida, história e valor no pensamento de Friedrich Nietzsche (Editora Forense Universitária, 2003); Para Compreender Heidegger (Editora Vozes – 2007 – no prelo). É autor de diversos artigos relacionados ao pensamento de Heidegger e de Nietzsche e tradutor de obras de Heidegger, Nietzsche, Goethe, Scheler, Figal, Gadamer e Adorno. 

 

 

Paulo Cesar Duque-Estrada (PUC-Rio) 

“Sobre a questão da representação em Heidegger face aos desafios do virtual”

Resumo: O trabalho tentará situar uma possível forma de entrada na questão da realidade virtual, que se afirma cada vez mais como aspecto determinante na configuração da existência contemporânea, a partir do tratamento heideggeriano da questão da representação e seu projeto de um pensamento para além da representação. 

Mini-currículo: Graduado em História pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (1981), mestre em Filosofia pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (1987), doutorado em Filosofia pela Boston College (1993) e pós-doutorado pela New School for Social Research (2000). Atualmente é Professor assistente da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro, consultor da Fundação de Amparo a Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro e membro do corpo editorial de "O Que nos Faz Pensar". Tem experiência na área de Filosofia, com ênfase em Ética, atuando principalmente nos seguintes temas: Hermenêutica, Ética, Ontologia, Interpretação. 

 

 

Róbson Ramos dos Reis (UFSM)

“Organismos, máquinas e a máquina lingüística” 

Resumo: Nos Conceitos Fundamentais da Metafísica, Heidegger desenvolveu uma interpretação ontológica de conceitos fundamentais de teorias biológicas. De acordo com certos resultados da Zoologia da época,  os organismos vivos devem ser compreendidos a partir das noções de totalidade, aptidões e envolvimento adaptativo a um circulo ambiental. Os organismos não podem ser concebidos como máquinas físico-químicas dotadas de órgãos, mas tampouco segundo um princípio teleológico nos termos do vitalismo. Como aptidões reguladas pela perturbação no círculo, os organismos seriam um tipo de poder-ser.  Nesta contribuição mostra-se de que modo a noção de perturbação em um círculo envoltório, ao ser conectada com o problema da mudança e historicidade dos organismos, implica um conceito específico de possibilidade. Ao lado da possibilidade existencial também deve ser reconhecida uma categoria de possibilidade peculiar apenas aos organismos e à vida. No conhecido ensaio sobre Hebel, Heidegger refere-se ao fenômeno da "máquina lingüística" (Sprachmaschine), para indicar que ela não é controlada pelo ser humano, mas, ao contrário, é ela que toma o controle da linguagem e assenhora-se da essência humana. Nesta apresentação também será abordado o problema de uma tematização adequada da possibilidade vital – da vida como possibilidade – no contexto técnico regulado por uma linguagem submetida às diretrizes da  "máquina lingüística". 

Mini-currículo: Doutorado em Filosofia pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul em 1994. Atualmente é Professor Adjunto IV da Universidade Federal de Santa Maria. Publicou 20 artigos em periódicos especializados e 9 trabalhos em anais de eventos. Possui 7 capítulos de livros e 1 livro publicados. Possui 75 itens de produção técnica. Participou de 16 eventos no Brasil. Orientou 13 dissertações de mestrado, além de ter orientado 16 trabalhos de iniciação científica na área de Filosofia. Entre 1992 e 2006 participou de 8 projetos de pesquisa, sendo que coordenou 6 destes. Atualmente participa de 2 projetos de pesquisa, sendo que coordena 1 destes. Atua na área de Filosofia, com ênfase em Fenomenologia. Em suas atividades profissionais interagiu com 63 colaboradores em co-autorias de trabalhos científicos. Em seu currículo Lattes os termos mais freqüentes na contextualização da produção científica, tecnológica e artístico-cultural são: Heidegger, Fenomenologia, Ontologia, Hermenêutica, Filosofia alemã, Indicação formal, Ciência, Kant, Verdade e Lógica.

 

 

Zeljko Loparic (PUCSP/PUCRS/Unicamp)

“O natufactual, o artefactual e o criado”

Mini-currículo: Doutor em Filosofia pela Universidade de Louvain. No período de 1966-69, fez estágios de Pós-Graduação na Alemanha, tendo assistido o seminário sobre Heráclito de Martin Heidegger e Eugen Fink em 1966/67. É Professor-Titular aposentado da Unicamp (área de História da Filosofia) e Docente da PUCSP e PUCRS. Na Unicamp, fundou e dirigiu (1980-88) a revista Cadernos de História e Filosofia da Ciência e foi Coordenador do Centro de Lógica (1982-85). É Membro Fundador (1988) e foi o primeiro Presidente (1989-94) da Sociedade Kant Brasileira. Em 1999 iniciou, na PUCSP, a revista internacional Natureza Humana, dedicada à filosofia da psicanálise na perspectiva heideggeriana, da qual é Editor-Científico. É autor dos livros Heidegger réu (1990), Ética e finitude (1995; 2ª ed. 2004), Descartes heurístico (1997), A semântica transcendental de Kant (2000; 3a. ed. 2005), Sobre a responsabilidade (2003) e Heidegger (2004), além de numerosos artigos publicados em revistas nacionais e internacionais.