Colóquio 2011

 

XVI Colóquio Heidegger, "Metafísica como História do Ser"

(Auditório I do IFCS/UNICAMP, 20 e 21 de outrubro de 2011)

 

 

 

 

Desde há muito está escrita a história (Historie) da metafísica; não, porém para Heidegger. Para este, a história, originariamente, não é uma reunião de fatos colocados sob seu encadeamento causal, mas história (Geschichte) enquanto compreensão da própria essência da metafísica. Esta, porém, não está tão disponível ao historiador, mas apenas ao pensamento que saltar para além da própria metafísica e, ao invés de reduzir os fatos a estruturas explicativas, ser capaz apreender neles o destino (Geschick) de uma civilização – o Ocidente.

O Colóquio Heidegger 2011, em sua 16ª Edição, abordará o tema, Metafísica como História do ser, visando propiciar a reconstrução heideggeriana da história da metafísica e abrir um espaço para a discussão de um amplo espectro de sub-temas ligados, especialmente, ao segundo Heidegger que, dentre os quais podemos citar: técnica (perigo, niilismo); variações epocais (os Gregos, Kant e o Idealismo alemão, Nietzsche); habitação poética (Hölderlin, Rilke); diálogo com pensamento oriental (Taoísmo, Zen-budismo, Escola de Kyoto); ecologia (aquecimento global, deep ecology); pensamento “religioso” (secularização, fuga dos deuses) e outros. 

 

 

Promoção:

CLE - Unicamp 

Departamento de Filosofia - Unicamp 

GT Heidegger da ANPOF

Sociedade Brasileira de Psicanálise Winnicottiana

 

Coordenador

Zeljko Loparic

 

Coordenador adjunto

José Carlos Michelazzo

 

 


PROGRAMA DAS CONFERÊNCIAS 

 

QUINTA-FEIRA: 20/10/2011 

14h00 – Cadastramento

 

14h20 – Abertura

 

14h30 – Conferência 1  

Zeljko Loparic (PUCSP/Unicamp), “A metafísica como história do Ser e como erro semântico” 

Presidente: J. C. Michelazzo

 

15h30 – Intervalo

 

16h00 – Conferência 2 

Edgar Lyra (PUC-Rio): “Faces da Gestell”              

Presidente: Ligia Saramago            

 

17h00 – Primeira sessão de Comunicações

Mesa Redonda A (local a ser determinado)

Presidente: Ligia Saramago

 

Comunicação 1

Victor Hugo de Oliveira Marques (UFG), “Metafísica e fundamentação: a crise da ontologia fundamental e constituição da metafísica como História do ser”

 

Comunicação 2

Flávio de Oliveira Silva (UNEB), “A metafísica como história do ser determina a filosofia como metafísica?”              

 

 

Mesa Redonda B (local a ser determinado)

Presidente: Edgar Lyra

 

Comunicação 3  

Renato Kirchner (PUCCamp) e os alunos: Anauene Dias Soares, Diogo Rodrigues dos Santos Albuquerque, Anderson Graboski de Almeida, Paulo Cesar Martins Ferreira Sarraipa e Marly Otani Cipolini, “A responsabilidade humana diante da questão da Técnica: um diálogo entre Hans Jonas e Martin Heidegger”

 

  

SEXTA-FEIRA: 21/10/2011 

09h00 – Conferência 3  

Ligia Saramago (PUC-Rio): “Entre a terra e o céu: a questão do habitar em Heidegger”

Presidente: Róbson Ramos dos Reis

 

10h00 – Intervalo

 

10h30 – Conferência 4

José Carlos Michelazzo (PUC-SP/CNPq), “Deep ecology: encontro entre Heidegger e o Chefe Seattle”

Presidente: Edgar Lyra      

 

11h30 – Segunda sessão de Comunicações 

Mesa Redonda A (a ser determinado)

Presidente: Róbson Ramos dos Reis

 

Comunicação 4    

Antonio Marcus dos Santos (UFPR), “Circularidade e nulidade na ontologia fundamental de Heidegger”

 

Comunicação 5   

Renato Kirchner (PUCCamp), “A temporalidade do ser-aí: considerações sobre a conferência heideggeriana O conceito de tempo

 

 

Mesa Redonda B (local a ser determinado) 

Presidente: Ligia Saramago

 

Comunicação 6 

Luís Thiago Freire Dantas (UFPR), “A essência da história no acontecimento do Niilismo”

 

Comunicação 7

Solange Aparecida de Campos Costa (UESPI), “Reflexões sobre a obra de arte na filosofia heideggeriana: A influência de Hölderlin e a relação terra e mundo no aparecer da verdade originária”

   

12h30 – Almoço

 

14h00 – Conferência 5

Acylene Maria Cabral Ferreira (UFBA): “A mundanidade do mundo como questão fundamental da metafísica”             

Presidente: Ligia Saramago

 

15h00 – Conferência 6

Marco Antônio Casanova (UERJ): “Esquecimento do ser, abandono do  ser e transição: o fim como espaço de tensão entre o primeiro e o outro início do pensamento”

Presidente: Acylene Maria Cabral Ferreira

 

16h00 – Intervalo

 

16h30 – Conferência 7              

Róbson Ramos dos Reis (UFSM): “Ser e modalidade: a  dor e  a decisão na história do ser”

Presidente: Marco Antônio Casanova

 

17h30 – Encerramento do Colóquio

 

 

 

 

RESUMO E MINI-CURRÍCULO

 

Acylene Maria Cabral Ferreira (UFBA)

“A mundanidade do mundo como questão fundamental da metafísica”

Resumo: Na ontologia heideggeriana, podemos afirmar que a questão fundamental da metafísica ocidental – o que é o ser? – se transpõe para a questão – o que é o mundo? Nesta perspectiva, podemos dizer que a questão fundamental da metafísica concerne ao problema da mundanidade do mundo. Como a questão do ser nos remete, necessariamente, para o problema da diferença ontológica, nosso objetivo consistirá em mostrar em que medida a diferença ontológica estrutura a mundanidade do mundo. Nossa hipótese é que o conceito de reunião antecipadora (Versammlung) estrutura a mundanidade do mundo no modo de uma circularidade ontológica. Sendo assim, pretendemos investigar como a circularidade ontológica desdobra e reflete o conceito de diferença ontológica e, portanto, de mundanidade do mundo. 

Mini-currículo: Possui graduação (UFMG), mestrado e doutorado (UFRJ) em filosofia. Atualmente é professora do Departamento de Filosofia da UFBA, atuando na área de Fenomenologia, Hermenêutica e Filosofia Contemporânea. Organizou e publicou os livros Fenômeno e Sentido (2002) e Leituras do mundo (2006). É autora do livro A Linguagem Originária (2007). Dentre os artigos em revistas especializadas e capítulos de livros destacam-se, entre outros, "A constituição ontológico-existencial da corporeidade em Heidegger" (Síntese, 2010), "O Destino como Serenidade" (Síntese, 2003), "A Linguagem Originária e o Silêncio" (Discurso, 1999), "Arte no pensamento de Heidegger" (Arte no pensamento, 2006), "A circularidade da verdade, a diferença ontológica e o eu relacional" (Coleção ensaios de filosofia contemporânea, 2007).

 

Antonio Marcus dos Santos (UFPR)

“Circularidade e nulidade na ontologia fundamental de Heidegger”

Resumo: O objetivo do trabalho é mostrar como o círculo hermenêutico é determinante na ontologia fundamental desenvolvida por Heidegger, em Ser e Tempo, considerando que, para isso, é necessário compreender a relação entre este círculo e a nulidade. Esta, por sua vez, só é tratada explicitamente na segunda seção de Ser e Tempo, e por isso nosso objetivo requer a articulação das duas seções da obra, indo além dos parágrafos nos quais o círculo é explicitamente tratado (§§31-32), e nos quais comumente se detêm os estudiosos do tema. Propomos a hipótese de que o questionamento do sentido do ser é necessariamente circular porque a circularidade mostra a nulidade, e somente a partir desta o ser se manifesta. A fim de reforçar esta interpretação, aproximaremos o tratado Ser e Tempo da conferência Que é Metafísica?, na qual o vínculo entre ser e nada é afirmado explicitamente.

Mini-currículo: Aluno do programa de Mestrado em Filosofia da Universidade Federal do Paraná (UFPR), com o projeto de pesquisa intitulado “Circularidade e nulidade na ontologia fundamental de Heidegger”. Concluiu o curso de graduação em Filosofia na mesma instituição, apresentando a monografia “Ontologia e Hermenêutica em Ser e Tempo”.

 

 

Edgar Lyra (PUC-Rio)

“Faces da Gestell

Resumo: É amplamente conhecida a denominação dada por Heidegger à essência da técnica moderna: Gestell. Menos disseminada, contudo, é a precariedade – enfatizada pelo próprio autor – da correspondência que essa palavra estabelece com o que através dela se põe em questão. Já as traduções do termo para outros idiomas dão conta da dificuldade de seguir a trilha aberta por Heidegger. Encontra-se em português, por exemplo: armação, composição, enquadramento, arrazoamento. A idéia neste texto é a de buscar formas particularmente visíveis da Gestell, em âmbitos tão diversos quanto possível – na cibernética, nas práticas administrativas, militares e lingüísticas, nos transportes e mesmo nos discursos de superação do atual estado de coisas.

Mini-currículo: Graduou-se em Engenharia Química pela UERJ em 1981. Obteve o título de mestre e de doutor em Filosofia, ambos pela PUC-Rio, respectivamente em 1999 e 2003. É atualmente professor de tempo parcial no departamento de Relações Internacionais do IBMEC-Rio e coordenador adjunto de licenciatura em Filosofia da PUC-Rio. É também professor de cursos de especialização em Filosofia desta última universidade. Concentra-se na área de Filosofia Contemporânea, trabalhando principalmente com a questão da tecnologia e elegendo Heidegger e Hannah Arendt como autores de referência. Além de artigos sobre ambos os autores e sobre o tema da tecnologia em geral, tem no prelo uma “introdução a Heidegger” e, em curso, a tradução de O que quer dizer Pensar?, do mesmo autor, ambas contratadas pela editora Tinta Negra do Rio de Janeiro. 

  

Flávio de Oliveira Silva (UNEB)

“A metafísica como história do ser determina a filosofia como metafísica?”

Resumo: Na discussão acerca do conteúdo da filosofia e sua intrínseca relação com a metafísica, Heidegger surge como filósofo da contemporaneidade que decisivamente estabeleceu conexões e implicações entre ambas, afirmou que a filosofia é metafísica e asseverou estar em curso uma nova tarefa ao pensamento. A partir destas considerações, pretendemos: colocar em questão a determinação heideggeriana que equaliza a filosofia como metafísica; mostrar vias da filosofia surgidas na tensão gestada frente à recusa ao pensar objetificante, próprio da metafísica; estabelecer a diferença entre a natureza da filosofia e o modo metafísico no qual ela se apresenta e, por fim, apontar aspectos flutuantes do pensamento de Heidegger referente à questão da metafísica e indicar o lugar da filosofia não redutível à metafísica.   

Mini-currículo: professor Assistente da Universidade do Estado da Bahia. Doutorando do Programa de Pós-Graduação em Filosofia da Universidade Federal da Paraíba. Artigos publicados: “Uma escuta heideggeriana ao problema da educação”; “O fenômeno dionisíaco como questão fundamental em Nietzsche”; “Metafísica e filosofia na concepção heideggeriana”;  “Educação e Pedagogia: o sentido da experiência originária”.

 

  

José Carlos Michelazzo (PUC-SP/CNPq)

 “Deep ecology: encontro entre Heidegger e o Chefe Seattle”

Resumo: Muitos são os intérpretes da crise ambiental que hoje vivemos: historiadores, políticos, físicos, antropólogos, religiosos, economistas, filósofos, etc. Heidegger é um deles também. Ele não discorda de nenhum dos pareceres desses especialistas; diz apenas que são antigas soluções, nascidas do velho paradigma ocidental. A interpretação de Heidegger, porém, propõe algo novo, quase constrangedor: pensar o ser. Mas para tanto, o pensamento precisa se distanciar de seu caráter lógico e instrumental, o metafísico, e se aproximar de seu caráter inocente e perigoso, o poético. É nesse horizonte de deslocamento do pensamento que colocamos em diálogo Heidegger e o Chefe indígena Seattle em torno do âmbito do sagrado, do interior do qual uma deep ecology poderá brotar com o intuito de agregar três experiências inseparáveis: superar a metafísica, resgatar a terra e salvaguardar o homem. 

Mini-currículo: Graduado em Filosofia e em Psicologia. Mestre em Filosofia pela PUC-SP. Doutor em Filosofia pela UNICAMP. Pesquisador do Programa de Pós-Doutorado da PUC-SP, com financiamento do CNPq. Psicoterapeuta com formação em Análise Existencial (Daseinsanalyse). Professor e autor de artigos em revistas nacionais. Autor do livro: Do um como princípio ao dois como unidade – Heidegger e a reconstrução ontológica do real. 2ª Edição. São Paulo: FAPESP-Annablume, 2010. Coordenador adjunto dos eventos anuais do Colóquio Heidegger realizados na Unicamp. Secretário Executivo da Seção São Paulo da Sociedade Brasileira de Fenomenologia (SBF-SP). A atual linha de pesquisa é orientada para o diálogo entre o pensamento ocidental, especialmente Heidegger, e o pensamento oriental representado pelo Zen-Budismo e pensadores japoneses da Escola de Kyoto.

  

 

Ligia Saramago (PUC-Rio)

“Entre a terra e o céu: a questão do habitar em Heidegger”

Resumo: A apresentação buscará pensar a questão do habitar em Heidegger, focalizando-a em alguns de seus mais expressivos momentos. Tanto nos escritos do início do caminho de seu pensamento, como naqueles em que a poesia se faz fortemente presente, percebe-se a tensão inerente às reflexões heideggerianas acerca desta temática: originária e ontologicamente o homem habita mergulhado na estranheza, de tal maneira que qualquer forma de familiaridade, ou do "sentir-se em casa" são apenas modos de encobrimento desta arraigada e inescapável estranheza. É justamente esta tensão intrínseca ao sentido mais profundo do habitar em Heidegger o que nos interessará aqui.

Mini-currículo: Graduou-se em Arquitetura e Urbanismo pela Universidade Santa Úrsula ( 1981 ), no Rio de Janeiro. Concluiu o curso de Especialização em Filosofia Contemporânea na PUC-Rio (1996) e o Mestrado em Filosofia (1998-2000) nesta mesma universidade, obtendo o título de mestre com a dissertação A Habitação Poética do Homem. Ainda na PUC-Rio concluiu o Doutorado em Filosofia (2001-2005), obtendo o título de doutor com a tese A “topologia do ser”: lugar, espaço e linguagem no pensamento de Martin Heidegger. É professora de Estética na PUC-Rio, tendo trabalhado como arquiteta, designer e artista plástica, com exposições individuais e coletivas no Brasil e no exterior. É membro do GT Heidegger e vem participando regularmente de diversos congressos e seminários. Suas pesquisas envolvem filosofia do espaço, estética e artes plásticas e arquitetura. 

  

 

Marco Antônio Casanova (UERJ)  

“Esquecimento do ser, abandono do ser e transição: o fim como espaço de tensão entre o primeiro e o outro início do pensamento”

Resumo:  O objetivo do presente trabalho é antes de tudo investigar os pressupostos hermenêuticos em jogo na noção heideggeriana da “história do ser”, buscando ao mesmo tempo revelar como esses pressupostos encerram em si uma tentativa de superar problemas intrínsecos ao projeto mesmo da ontologia fundamental de Ser e tempo. A partir dessa investigação, trataremos em seguida do problema do primeiro início da filosofia e da compreensão característica do Heidegger tardio da metafísica como esquecimento e como abandono do ser. Esse campo de problemas abrirá ao mesmo tempo uma possibilidade de considerar de maneira plena a questão do outro início do pensar. 

Mini-currículo: Doutor em filosofia pela Universidade Federal do Rio de Janeiro e pela Universidade Karl-Eberhard Tübingen (1999). Pós-doutorado na Universidade Albert-Ludwig Freiburg (2005-2006). Professor adjunto do departamento de filosofia da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (desde 1995). Vice-presidente da Sociedade Brasileira de Fenomenologia e Hermenêutica (desde 2004). Coordenador brasileiro do projeto de cooperação internacional “Questões fundamentais da hermenêutica filosófica: arte, ciência e política” firmado entre a UERJ, a PUCRS e a Universidade Albert-Ludwig Freiburg. Livros publicados: Nada a caminho: impessoalidade, niilismo e técnica na obra de Martin Heidegger (Editora Forense Universitária, 2006); O instante extra-ordinário: vida, história e valor no pensamento de Friedrich Nietzsche (Editora Forense Universitária, 2003); Para Compreender Heidegger (Editora Vozes – 2007 – no prelo). É autor de diversos artigos relacionados ao pensamento de Heidegger e de Nietzsche e tradutor de obras de Heidegger, Nietzsche, Goethe, Scheler, Figal, Gadamer e Adorno. 

 

Renato Kirchner (PUCCamp)

“A temporalidade do ser-aí: considerações sobre a conferência heideggeriana O conceito de tempo”

Resumo: “O conceito de tempo” (Der Begriff der Zeit) é o título da conferência pronunciada por Martin Heidegger no Teologado de Marburgo na década de 1920. O presente trabalho impõe-se duas metas: de um lado, apontar paralelos conceituais entre a conferência e Ser e tempo e, de outro, evidenciar como o filósofo elabora seu próprio conceito de tempo como temporalidade do ser-aí. De fato, embora o tempo seja tematizado em vários outros textos da juventude ou mesmo em obras mais tardias, é visível nesta conferência a preocupação do pensador em elaborar, de uma maneira explícita, um novo conceito de tempo. Nossa proposta consiste, portanto, em avistar as idéias condutoras em vista da elaboração heideggeriana do conceito de temporalidade, mas que, por sua vez, estão intimamente relacionadas com a analítica ontológico-existencial do ser-aí (Dasein).

Mini-currículo: Doutor e mestre em Filosofia pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Desde agosto de 2010 é professor do Centro de Ciências Humanas e Sociais Aplicadas da Pontifícia Universidade Católica de Campinas. Pertence ao grupo de pesquisa Ética e Epistemologia, no qual desenvolve o projeto de pesquisa “Hans Jonas e o princípio responsabilidade: por uma ética da civilização tecnológica e planetária”. Possui ampla experiência profissional na área editorial e produção cultural. Experiência adquirida e aprimorada, desde 1992, quando passou a trabalhar na Editora Vozes, Petrópolis. De 2003 a 2009, foi editor e coordenador da Editora Universitária São Francisco (Edusf), Bragança Paulista. Além de dedicar-se à docência e à pesquisa, é colaborador de periódicos acadêmicos dos quais é articulista, conselheiro e parecerista editorial.

  

 

Renato Kirchner e alunos: Anauene Dias Soares, Diogo Rodrigues dos Santos Albuquerque, Anderson Graboski de Almeida, Paulo Cesar Martins Ferreira Sarraipa e Marly Otani Cipolini (PUCCamp)

“A responsabilidade humana diante da questão da Técnica: um diálogo entre Hans Jonas e Martin Heidegger”

Resumo: Nos últimos séculos, certas transformações das capacidades humanas ocasionaram uma profunda mudança na natureza do agir humano. De fato, como pensa Heidegger, o “pensamento que calcula” (rechnende Denken) não é o mesmo que um “pensamento que medita” (besinnliches Denken) ou não é um pensamento que “reflete” (nachdenkt) sobre o sentido de tudo quanto é e existe. Por isso, do ponto de vista ontológico e em vista da sobrevivência física e espiritual não só da humanidade, mas de tudo quando é e existe, torna-se imprescindível a busca de uma ética para a civilização tecnológica e planetária. A responsabilidade, enquanto princípio ético, mesmo que tenha sido evocada por outros filósofos da tradição, assume novas perspectivas a partir do pensamento de Hans Jonas. O conceito de “responsabilidade” (Verantwortung) ocupa o centro da ética jonasiana, assim como o conceito de “cuidado” (Sorge) ocupa o centro da ontologia fundamental heideggeriana.

  

 

Róbson Ramos dos Reis (UFSM)

“Ser e modalidade: a  dor e a decisão na história do ser”

Resumo: Em 'Ser e Tempo', Heidegger afirmou que a história desvela a força silenciosa do possível, vinculando a categoria modal do possível à estrutura do acontecer histórico. Na 'Carta Sobre o Humanismo', Heidegger elucidou o uso que faz da expressão "a força silenciosa do possível", diferenciando o significado da noção de possibilidade em relação aos sentidos usuais em que as categorias modais foram abordados na tradição filosófica. Nessa direção, nas 'Contribuições à Filosofia' Heidegger oferece uma elucidação do conceito de seer (Seyn) a partir das 'modalidades metafísicas', afirmando que: "a recusa (a essenciação do seer) é a mais elevada atualidade do mais elevado possível como possível e com isso é a primeira necessidade, deixando de lado, porém, a origem das 'modalidades' na ousia." (GA 65, p.244). Nesta apresentação examinarei  a relação entre o conceito de ser e as noções modais, destacando o sentido em que a história do ser é qualificada modalmente. O exame será feito a partir da concentração num ponto exemplar, referente ao tema da dor, pensado por Heidegger na confrontação com Jünger e Hegel.

Mini-currículo: Doutorado em Filosofia pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul em 1994. Atualmente é Professor Adjunto IV da Universidade Federal de Santa Maria. Publicou 20 artigos em periódicos especializados e 9 trabalhos em anais de eventos. Possui 7 capítulos de livros e 1 livro publicados. Possui 75 itens de produção técnica. Participou de 16 eventos no Brasil. Orientou 13 dissertações de mestrado, além de ter orientado 16 trabalhos de iniciação científica na área de Filosofia. Entre 1992 e 2006 participou de 8 projetos de pesquisa, sendo que coordenou 6 destes. Atualmente participa de 2 projetos de pesquisa, sendo que coordena 1 destes. Atua na área de Filosofia, com ênfase em Fenomenologia. Em suas atividades profissionais interagiu com 63 colaboradores em co-autorias de trabalhos científicos. Em seu currículo Lattes os termos mais freqüentes na contextualização da produção científica, tecnológica e artístico-cultural são: Heidegger, Fenomenologia, Ontologia, Hermenêutica, Filosofia alemã, Indicação formal, Ciência, Kant, Verdade e Lógica.

 

 

Solange Aparecida de Campos Costa (UESPI)

“Reflexões sobre a obra de arte na filosofia heideggeriana: A influência de Hölderlin e a relação terra e mundo no aparecer da verdade originária”

Resumo: Este artigo pretende analisar a relação de mundo e terra no texto heideggeriano A origem da obra de Arte, esses elementos permitem a concepção de verdade que contrapõe encobrimento e desencobrimento de modo inovador na sua filosofia. Nesse percurso, almeja tratar da ligação entre velar e desvelar que a obra de arte expõe, entendendo a terra como elemento fundante, que preserva a proveniência da obra de arte e ao mesmo tempo sustenta a manifestação do mundo. O aparecer da verdade, que se expõe nessa relação talvez seja fruto das leituras que Heidegger faz de Hölderlin. Assim, o presente trabalho ambiciona também investigar a influência hölderliniana na composição do texto A origem da obra de Arte, bem como entender a relação mundo e terra que se apresenta no texto, sobretudo a formulação que Heidegger trará a sua filosofia na concepção de terra, como fundamental para o surgimento da verdade.

Mini-currículo: Possui Graduação em Filosofia pela Universidade Federal do Paraná (1999) e Mestrado em Letras pela Universidade Federal do Paraná (2007), com dissertação sobre o trágico em Hölderlin. Atualmente é Professora Assistente I da Universidade Estadual do Piauí e Doutoranda em Filosofia pelo Programa Integrado de Pós Graduação UFRN-UFPE-UFPB, na linha de Metafísica, sob orientação do professor: Miguel Antônio do Nascimento (UFPB). Atua no magistério superior há 8 anos e possui três livros publicados, além de diversos artigos. Tem experiência na área de Filosofia, com ênfase em Filosofia Alemã, com estudos principalmente nos seguintes autores: Estética e Filosofia da Arte em Heidegger, Hölderlin e Nietzsche.

 

 

Victor Hugo de Oliveira Marques (UFG)

“Metafísica e fundamentação: a crise da ontologia fundamental e constituição da metafísica como História do ser”

Resumo: A presente comunicação intenta apresentar a crise da ontologia fundamental heideggeriana, a partir do aprofundamento da história da metafísica em seus aspectos mais problemáticos, a saber, a possibilidade de fundamentação. Para tanto, toma-se a discussão que Heidegger trava com o Princípio de Razão tal como foi formulado por Leibniz, nada é sem razão, que passou para a tradição filosófica como o princípio do fundamento, no qual aquele afirma a finitude como fundamento. Contudo, a questão norteadora desta pesquisa está em explicitar como o aprofundamento da questão do fundamento contribuiu para a mudança da perspectiva heideggeriana de uma ontologia fundamental para uma metafísica como história do ser.

Mini-Currículo: É mestrando em filosofia pela UFG. Bolsista da CAPS. Especialista em Filosofia e existência pela Universidade Católica de Brasília (2010) e graduado em Filosofia pela Universidade Católica Dom Bosco (2006). Atualmente é professor de Filosofia na área de Filosofia Contemporânea e Fenomenologia na Faculdade de Filosofia e Teologia de Goiás (IFITEG) e pesquisador do Grupo de Estudos em Filosofia (GEFIL) na área de Cristianismo, Filosofia e Sociedade pela da Universidade Católica Dom Bosco. É autor do livro Cristianismo e Filosofia nos três primeiros séculos da era cristã: análise dialético-histórica. 

 

 

Zeljko Loparic (PUCSP/Unicamp)

“A metafísica como história do Ser e como erro semântico”

Resumo: O presente trabalho propõe-se, em primeiro lugar, apresentar a concepção heideggeriana da metafísica como onto-teologia desenvolvida ao longo da história do esquecimento do Ser e o projeto de ultrapassamento da metafísica assim concebida pelo pensamento de Ser. Em segundo lugar, abordará a crítica kantiana da metafísica tanto como ciência do supra-sensível quanto como onto-teologia, e a substituição de ambas as versões pela lógica transcendental entendida como semântica a priori. Em terceiro lugar, examinará a força dos argumentos centrais para cada uma dessas duas posições e a sua relevância para a apreciação do estado atual da filosofia.

Mini-currículo: Doutor em Filosofia pela Universidade de Louvain. No período de 1966-69, fez estágios de Pós-Graduação na Alemanha, tendo assistido o seminário sobre Heráclito de Martin Heidegger e Eugen Fink em 1966/67. É Professor-Titular aposentado da Unicamp (área de História da Filosofia) e Docente da PUCSP e PUCRS. Na Unicamp, fundou e dirigiu (1980-88) a revista Cadernos de História e Filosofia da Ciência e foi Coordenador do Centro de Lógica (1982-85). É Membro Fundador (1988) e foi o primeiro Presidente (1989-94) da Sociedade Kant Brasileira. Em 1999 iniciou, na PUCSP, a revista internacional Natureza Humana, dedicada à filosofia da psicanálise na perspectiva heideggeriana, da qual é Editor-Científico. É autor dos livros Heidegger réu (1990), Ética e finitude (1995; 2ª ed. 2004), Descartes heurístico (1997), A semântica transcendental de Kant (2000; 3a. ed. 2005), Sobre a responsabilidade (2003) e Heidegger (2004), além de numerosos artigos publicados em revistas nacionais e internacionais.