Colóquio 2006

 

XI COLÓQUIO HEIDEGGER, "Heidegger e a Arte"

 (PUCS,  Rua ministro Godoi, 969 – Auditório 239, 19 de outubro de 2006n das 13h30 às 17h30, 20 de outubro de 2006, das 09h00 às 17h30) 
 

 

Promoção:

PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM FILOSOFIA – UNICAMP

PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO PSICOLOGIA CLÍNICA  – PUCSP

GRUPO DE PESQUISA EM FILOSOFIA E PRÁTICAS PSICOTERÁPICAS – GFPP

GT HEIDEGGER DA ANPOF

 

 

Coordenador

Zeljko Loparic 

 

 

  

Coordenadores adjuntos

José Carlos Michelazzo 

Maria de Fátima Dias

Eder Soares Santos

 

 

   

 

PROGRAMA DAS COMUNICAÇÕES   

 

QUINTA-FEIRA, 19/10/2006 

16h30 – Primeira sessão de Comunicações 

Comunicação 1    

Mathias de Abreu Lima Filho (Instituto Piéron), “A inaparência como moldura: Heidegger e as artes visuais”

 

Comunicação 2 

Vagner Sassi (UniFAE), “Pensamento e poesia na proximidade da origem”

 

Comunicação 3  

Antonio Almeida Rodrigues da Silva (UMESP), "Recepção e sentido dos conceitos de verdade e arte em Martin Heidegger"       

 

 Comunicação 4 

Luciana da Costa Dias (UERJ), “Arte e Verdade: considerações acerca da dimensão ontológica da arte em Heidegger”

 

Comunicação 5

 Paulo Eduardo Rodrigues Alves Evangelista (PUCSP), "Heidegger e a conversão de Paulo: interpretação da Epístola aos Gálatas" 

 

Comunicação 6

Reginaldo Menezes Barros (UGF), "Arte e  autenticidade em Heidegger"

 

Comunicação 7

Ney Branco de Miranda (MACKENZIE), “Diamond dust shoes: a concepção de arte em Heidegger é anacrônica?”

 

Comunicação 8

Alexandre de Oliveira Ferreira (UNICAMP), “A arte e o espaço: algumas considerações acerca do lugar das reflexões sobre a arte no pensamento de Heidegger”

 

 Comunicação 9

 Rafael Araújo Leal (UniFAE), “O conceito de arte no Zen e o pensamento pós-metafísico”

 

Comunicação 10 

Antônio Wagner Veloso Rocha (UNIMONTES), “Heidegger e a poesia para além da literatura”

 

 

SEXTA-FEIRA, 20/10/2006 

 

11h30 – Segunda sessão de Comunicações 

Comunicação 11

Cauê Cardoso Polla (USP), "Topos – Martin Heidegger e Eduardo Chillida"

 

Comunicação 12

Libanio Cardoso (UNIOESTE), "Ser e Tempo e a Ilíada: a verdade da obra-de-arte segundo Heidegger"               

 

Comunicação 13  

Flávio de Oliveira Silva (UNEB), “O império da ratio e a impossibilidade de acesso imediato ao real”

 

Comunicação 14 

Laura de Borba Moosburger (UFPR), “Linguagem e arte no pensamento de Heidegger”

 

Comunicação 15 

Vicente de Arruda Sampaio (UNICAMP),  "Al-qeia e Ath: desvelamento e cegueira – uma semelhança estrutural na origem da literatura ocidental"

 

Comunicação 16 

Fabíola Menezes de Araújo (UERJ), “O poder-ser: a possibilidade de pensarmos o fazer artístico a partir de Ser e Tempo de Martin Heidegger”

 

Comunicação 17  

Rodrigo Rizério de Almeida e Pessoa (UFSCar), “A transcendência do Dasein em Heidegger”

 

Comunicação 18 

Marcel Albiero da Silva Santos (UFPR), “O problema da explicitação do fenômeno do mundo em Ser e tempo e em A origem da obra de arte” 

 

Comunicação 19 

Paulo Roberto Monteiro de Araujo (MACKENZIE), "Edward Hopper e Heidegger: o desvelamento da solidão"               

 

 

RESUMO E MINI-CURRÍCULO

 

Alexandre de Oliveira Ferreira

“A arte e o espaço: algumas considerações acerca do lugar das reflexões sobre a arte no pensamento de Heidegger”

Resumo: As reflexões sobre a arte na primeira metade dos anos 30 encontram-se em um lugar privilegiado em meio à trajetória do pensamento de Heidegger. Por um lado, na tentativa de superar a estética, a obra de arte é pensada como o pôr-em-obra da verdade do ser, como modo privilegiado do acontecer dessa verdade para uma determinada humanidade historial. Por outro lado, enquanto pôr-em-obra da verdade de ser, a obra de arte cria um espaço de jogo e conflito entre o céu e a terra e instaura um mundo no qual a totalidade do ente se torna mais ente. Esse segundo aspecto já anuncia o mundo quadrindade do pensamento tardio de Heidegger, no qual a noção de espaço parece se sobrepor à noção de tempo. Assim, as reflexões sobre a arte podem ser pensadas como um divisor de águas entre as noções de “verdade do ser” e de “topologia do ser”. A comunicação procurará mostrar esse duplo caráter da obra de arte, situando-a no conjunto do pensamento de Heidegger.

Mini-currículo: Mestre em filosofia pela UNICAMP. Doutorando em Filosofia pela UNICAMP. Estágio de dois anos de “Doutorado Sanduíche” na Universidade de Freiburg (Albet-Ludwigs-Universität Freiburg ) - Alemanha. (Bolsista DAAD). Professor de Filosofia na  Faculdade Padre João Bagozzi. Curitiba-PR.  Publicações: "Hermenêutica Fenomenológica, Temporalidade e Historicidade: a tentativa de Heidegger de fazer da ontologia a ciência do ser". Modernos e Contemporâneos – A Tradição Fenomenológica - CEMODECON, IFCH – UNICAMP. Unicamp, v. 2, 2002. "A Tese de Heidegger Sobre o Ser em Kant". Modernos e Contemporâneos – Kant - CEMODECON, IFCH – UNICAMP. Unicamp, v. 1, 2000.

 

 

Antonio Almeida Rodrigues da Silva       

"Recepção e sentido dos conceitos de verdade e arte em Martin Heidegger"       

Resumo:  O trabalho pretende percorrer o pensamento do filósofo Martin Heidegger em relação aos seus conceitos de verdade e arte, porquanto em sua visão, a obra de arte nos revela, de maneira particular, a verdade do ente. A instalação do mundo pela obra de arte, fornece a condição que possibilita ao Dasein reconhecer-se neste mundo, estabelecendo a clareira a partir da qual torna-se possível relacionar-se. Assim, toda revelação se dá dentro do horizonte histórico de abertura do Dasein. Desta feita, a obra de arte, enquanto tal, abre diversas relações que constituirão o mundo de um determinado povo histórico. Por conseguinte, inaugura, no sentido de trazer à luz, o mundo no qual os indivíduos tomarão suas decisões. Entretanto, a verdade, como clareira e ocultação do ente, acontece na medida em que se poetiza. Portanto, pretende-se uma análise da recepção, bem como do sentido desses conceitos no pensamento de Heidegger.        

Mini-currículo: Graduado em Teologia pelo Seminário Teológico Batista do Norte do Brasil (2004). Cursando Pós-Graduação em Ciências da Religião – Universidade Metodista de São Paulo. Trabalhos apresentados: 1) Subversão no horizonte hermenêutico dos elementos sacros. 2) Imagens de liberdade: sentido e implicações à luz da vocação humana (Centro de Estudo de História na América Latina – CEHILA); 3) Teologia da Cultura: a essência do incondicionado nas múltiplas formas culturais (Associação Paul Tillich do Brasil); 4) Símbolo e Hermenêutica. 5) Símbolo, idolatria e alienação: a religião como utopia necessária na busca pela afirmação do ser (La Asociación Latinoamericana para el Estudio de las Religiones – ALER). Atualmente, pesquisa a relação do conceito de arte em Martín Heidegger e Paul Tillich, fazendo uma abordagem à luz da pintura de Lasar Segall.   

 

 

Antônio Wagner Veloso Rocha

“Heidegger e a poesia para além da literatura”

Resumo: O objetivo do nosso trabalho é discutir em que medida, na concepção heideggeriana, a poesia ocidental transcende a cultura literária, apesar de se encontrar submetida aos seus domínios. Assim verificaremos que ao afirmar que a poesia é linguagem fundadora do ser, experiência pensante, língua primeira de um povo, Heidegger entende que a mesma não pode ser interpretada apenas como um gênero da escrita ou um apêndice da chamada “literatura européia”, mas como evento inaugural, ponto irradiador da verdade enquanto desvelamento do ser, a palavra originária de todas as artes. Desta forma, ele analisa a poesia de poetas como Hölderlin, Georg Trakl, não como objeto literário, mas como elemento ontológico, diálogo com a tradição e crítica à modernidade onde o habitar humano tornou-se incompatível com o poético, não pretendendo Heidegger constituir assim nenhuma teoria ou ciência da literatura.  

Mini-currículo: Mestre em Filosofia pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC/Rio) com o tema Heidegger: da pergunta pela filosofia à essência da poesia, sendo orientado pelo professor Paulo César Duque-Estrada. É professor do Departamento de Filosofia da Universidade Estadual de Montes Claros (UNIMONTES), onde atualmente é coordenador da graduação em Filosofia.

 

 

Cauê Cardoso Polla

"Topos – Martin Heidegger e Eduardo Chillida"

Resumo: No livro A Arte e o Espaço, de 1969, as considerações de Heidegger sobre o problema do espaço e da escultura se ligam intimamente à interpretação da questão “que é uma coisa”. Na dedicatória a Eduardo Chillida lemos: "às vezes temos o sentimento de que desde há muito o caráter-de-coisa das coisas tem sido violentado". Esta problemática é pensada em 1935/36 com A pergunta pela coisa e A origem da obra de arte e em 1949 com a conferência A coisa (das Conferências de Bremen). Pretende-se, neste trabalho, mostrar que o pensamento de Heidegger sobre a obra-de-arte se flexiona sobre o questionamento da coisa como algo que abre espaço. Para tanto, a escultura de Chillida como indagação acerca do espaço será tomada em sua estreita relação com a pergunta de Heidegger pela coisa. 

Mini-currículo: Graduação em filosofia pela Universidade de São Paulo-USP (2000-2005). Iniciação científica em filosofia: Os caminhos do mesmo: Rilke, Heidegger e a Morte. Orientador: Prof. Dr. Marco Aurélio Werle (2003-2005). Assistente da Comissão Científica da Organização do 10º. Congresso Kant Internacional, São Paulo – SP  (2005). Mestrado em filosofia pela Universidade de São Paulo-USP: Que é uma coisa? A questão da coisa em Martin Heidegger. Orientador: Prof. Dr. Marco Aurélio Werle (2006-em andamento). Apresentação do trabalho Ethics of the Thing? Counteracting heideggerian Ethics no 3º. Simpósio Internacional de Fenomenologia e Hermenêutica, Porto Alegre-RS (2006). 

 

 

Fabíola Menezes de Araújo

“O poder-ser: a possibilidade de pensarmos o fazer artístico a partir de Ser e Tempo de Martin Heidegger”

Resumo: O presente texto investiga o conceito de poder-ser em Ser e Tempo, obra de um pensador fundamental para a Filosofia Contemporânea: Martin Heidegger. Tem-se a intuição de que isto, além de poder elucidar a própria obra deste filósofo, pode vir a ser uma via de abertura para a possibilidade de pensarmos o fazer artístico radical. Radical porque consegue ir ao âmago daquilo que constitui todos nós, sendo isto pensado através do conceito de poder-ser. Um escritor, Guimarães Rosa, talvez possa nos ajudar nesta travessia. Seria muito alta esta nossa pretensão de pensamento? Talvez. Mas "o medo de errar já constitui o próprio erro", como diz Hegel. E, por isto, temos que nos aventurar nos grandes pensamentos, mesmo que isto nos induza ao erro; pois este pode ser repensado, enquanto a falta de um caminho capaz de acolher o pensamento não pode gerar senão erros e mais erros.

Mini-currículo: Mestranda em Filosofia Ética e Política no Instituto de Filosofia da UERJ. Bacharelado e Licenciatura Plena em Filosofia (UERJ) com a monografia para obtenção do título de Graduação em Filosofia orientada pelo Prof. Dr. Luiz Bicca e pelo Prof. Dr. Marco Antônio Casanova. Estágio Complementar para a Licenciatura Plena (CAP UERJ) - Colégio Aplicação da UERJ. Bacharelado em Psicologia (Incompleto) [UFRJ]. Aprovada em primeiro lugar no concurso público para professora substituta do Colégio Pedro II. Idiomas: Inglês e Francês fluentes. Grupos de estudo: "Grego Clássico" (IFCS/UFRJ) e "Heidegger" com o prof. Gilvan Fogel (IFCS/UFRJ).

 

  

Flávio de Oliveira Silva

“O império da ratio e a impossibilidade de acesso imediato ao real”

Resumo: Na interpretação heideggeriana o saber racional se inaugura na teorização acerca do ente sob a denominação de conhecimento com vistas à determinação do que, a partir de então, se configurou como “real”. Neste movimento se consolida o pensar sob a forma de representação como a via de acesso à realidade. Na pergunta inaugural da filosofia tí estin, a experiência pré-socrática de escuta, silêncio e vigência da physis, não mais se dá em seu caráter principiativo, originário, mas unicamente na direção do seu fim. Propomos explicitar: 1- a representação como invenção para expressar o real em esquemas, sem, todavia, alcançá-lo de imediato; 2- considerações quanto à possibilidade de contemplação do real e da verdade, unicamente na arte e na poesia.

Mini-currículo: Mestre em Filosofia pela UFPB, com defesa de dissertação intitulada: “O problema da verdade em Heidegger”. Professor assistente da Universidade do Estado da Bahia (UNEB). Últimos trabalhos publicados: “Uma escuta heideggeriana ao problema da educação” na Revista de Filosofia e Psicologia da Educação da Universidade do Sudoeste da Bahia (UESB) ISSN 1678-7846 e “O fenômeno dionisíaco como questão fundamental em Nietzsche” na revista eletrônica Morpheus da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UNIRIO) ISSN 1676 2924. Últimas apresentações de trabalhos: Congresso internacional de Filosofia na Universidade Católica Portuguesa em Braga/Portugal e III Colóquio Nacional de Filosofia da História promovido pelo GT da ANPOF na Universidade Federal de Sergipe.

 

 

Laura de Borba Moosburger

“Linguagem e arte no pensamento de Heidegger”

Resumo: Ao tematizar a origem da obra de arte, Heidegger põe juntamente em questão o discurso. Tal junção, longe de ser casual, mostra que o autor questiona em bloco a relação do homem com a linguagem, a arte e as coisas. Valendo-se de termos e construções comuns, e inevitáveis, da linguagem, ele aporta a limites que exigem traspassar a forma habitual de construção de pensamento, conformada à cisão sujeito-objeto e presente não só em discursos sobre arte, mas, em geral, em um modo de se relacionar com ela. Heidegger não nega essa relação: mas, percorrendo um caminho – um discurso – capaz de tornar sensível o limite dessa relação, retrocede ao nó da origem. Nó que não pode nem ser agarrado pela linguagem, mediante conceitos que definiriam objetos correspondentes, nem ser apontado na realidade como subjazendo em determinadas obras-objetos. 

Mini-currículo: Graduada e mestranda em Filosofia (UFPR). Produção bibliográfica: "A Concepção Iluminista de Razão em Kant à Luz de Schopenhauer". In: Cadernos PET-Filosofia, v.4, 2002, p. 29 – 40; "Nietzsche: um salto do pensamento". In: Livro de Resumos - I Congresso Internacional Spinoza & Nietzsche. Rio de Janeiro: SpiN/PPGF/UFRJ, 2006, p. 28 – 29. Comunicações: "Nietzsche: um salto do pensamento". I Congresso Internacional Spinoza & Nietzsche. Rio de Janeiro: SpiN/UFRJ, 2006; "Personalidade e Consciência: liberdade em Bergson". II Encontro de Filosofia Francesa. Curitiba: UFPR, 2005; "A Concepção Iluminista de Razão em Kant à Luz de Schopenhauer". I Colóquio Schopenhauer. Curitiba: UFPR/Goethe Institut, 2001.

 

  

Libanio Cardoso        

"Ser e Tempo e a Ilíada: a verdade da obra-de-arte segundo Heidegger"               

Resumo: Se uma obra-de-arte, no seu ser, pensa, isto é, expõe-se como “liberdade para o fundamento”, isto deve ser posto à prova. Propomo-nos meditá-lo a partir de Ser e Tempo, de Heidegger. Seguiremos A Origem da Obra de Arte no que esta conduz a pensar a arte desde uma obra por ela determinada. Escolhemos, entre todas, uma obra de palavras: a Ilíada. O caráter poético ou filosófico, artístico ou pensante de uma obra será meditado – a ponto de que o “ou” se torne, ele mesmo, um problema. No que toca à análise, a relação entre obra, ser e verdade deve aparecer mediante exame do percurso de instauração e ruptura da cólera de Aquiles (cantos I a XVIII). A unidade do percurso de sua cólera, que reúne deuses, coisas e heróis, será vista, num exemplo notável de “obra-de-arte” interna à obra-de-arte analisada, evocando o “conceito” decisivo de Dasein.

Mini-currículo:  Doutorando em Filosofia (UFRJ). Professor do Departamento de Filosofia da Universidade Estadual do Oeste do Paraná (UNIOESTE), campus de Toledo, co-tutor do Programa PET local. Seu trabalho de orientação acadêmica e na pós-graduação tem se concentrado em Heidegger e nos pensadores gregos, bem como no tema da História, pensada desde as relações entre “começo” e “fim” da filosofia.

 

 

Luciana da Costa Dias

“Arte e Verdade: considerações acerca da dimensão ontológica da arte em Heidegger”

Resumo: Em nossa comunicação, pretendemos explicitar a dimensão ontológica que Heidegger põe como estando em jogo em toda obra de arte ao conectar originariamente arte e verdade. Esta conexão é desenvolvida, inicialmente, em “A Origem da Obra de arte”, lá se configurando como a própria tensão nunca resolvida entre velamento e desvelamento, “terra” e “mundo”. Este seria o próprio combate originário (Urstreit) da verdade, de algum modo fixado no aberto da obra e dando a esta não só suas possibilidades significativas, como também seu caráter profundamente histórico – sem, contudo, deixar escapar seu fundo velado, abissal e enigmático. Para tanto, iremos nos deter na abordagem que Heidegger dá aos conceitos de poíesis, téchne e alétheia, de modo a destacar seu vínculo intrínseco e seminal. 

Mini-currículo: Bacharelado e Licenciatura em Filosofia (UERJ). Monografia: “Consciência e intencionalidade na Fenomenologia de Edmund Husserl”. Mestre em Filosofia (UERJ). Dissertação: “Arte e Verdade: uma análise do ensaio ‘A Origem da Obra de Arte’ de Martin Heidegger” (2004), sob orientação do Prof. Dr. Marco Antonio Casanova. Doutoranda em Filosofia (UERJ), desde Maio de 2004.  Tema: “A fuga dos deuses: niilismo, dissolução do sagrado e a arte na era da técnica a partir do pensamento de Martin Heidegger”, sob orientação do Prof. Dr. Marco Antonio Casanova. Professora Substituta no Depto. de Filosofia (IFCS/ UFRJ), desde Março de 2005.

 

 

Marcel Albiero da Silva Santos       

“O problema da explicitação do fenômeno do mundo em Ser e tempo e em A origem da obra de arte”

Resumo: Na presente comunicação discute-se o problema da explicitação do fenômeno do mundo (Welt) em dois momentos na obra de Heidegger: primeiro em  Ser e tempo (Sein und Zeit - 1927), depois em A origem da obra de arte (Der Ursprung des Kunstwerkes - 1936). No primeiro texto que analisamos, uma explicitação pré-ontológica desse existencial é requerida no § 16 como exigência metódica – o “ir às coisas mesmas”. Uma tal exigência, porém, mostra o caráter extraordinário (e, assim, problemático) da explicitação do fenômeno do mundo, de modo que, em simultâneo, atesta que o fenômeno em questão possui essencialmente uma tendência a permanecer implícito. No outro texto que analisamos, o problema da explicitação (e do caráter implícito) do fenômeno do mundo é retomado: ele encontra possibilidade de explicitar-se apenas a partir da obra de arte.  

Mini-currículo: Formado em Direito pela UFPR em 2000. Começou seus estudos em filosofia em 2001 na Faculdade de Filosofia da UFPR, por meio de diversas disciplinas isoladas aí cursadas. Mestrando em Filosofia (UFPR), turma 2005/2006 (1º lugar). Desenvolve projeto de pesquisa que versa sobre o conceito de verdade em Ser e tempo (1927) e sua inflexão sofrida a partir de Sobre a essência da verdade (1930), orientado pelo Prof. Dr. Pedro Costa Rego (UFPR/UFRJ). Membro do Grupo de Pesquisa certificado pelo CNPq “Fenomenologia, Ontologia e Hermenêutica”, liderado pelo Prof. Dr. André de Macedo Duarte (UFPR).

 

 

Mathias de Abreu Lima Filho

 “A inaparência como moldura: Heidegger e as artes visuais”

Resumo: São bem conhecidas as referências de Heidegger à literatura, especialmente à poesia. São também conhecidas algumas de suas raras menções a respeito da música. Quanto às artes visuais, as suas referências ficam a meio caminho entre uma e outra, mas o suficiente para ter sido aceito como membro da Academia de Belas Artes de Munique, à qual pertenciam também, entre outros, Carl Orff, Guardini, Jünger e Heisenberg. Segundo Weizäcker, Heidegger foi escolhido para a Academia, não por algum talento artístico, mas pela presença em sua obra da "reunião essencial entre beleza e verdade". O propósito deste trabalho será o de apresentar as relações entre o pensamento de Heidegger e as artes visuais – a partir de algumas imagens de obras de arte das quais o filósofo se aproximou de um modo singular –, procurando enfatizar a sua interpretação da arte para além da estética metafísica de matéria e forma, para ser compreendida a partir de seu caráter essencialmente desvelador da enigmática e misteriosa epifania do mundo.

Mini-currículo: Graduado em Psicologia pela Metodista-SP. Mestre em Filosofia pela PUC de São Paulo, com trabalho sobre o tema da Indigência da Modernidade no pensamento de Heidegger e na poesia de Rilke. Curso complementar sobre o pensamento de Heidegger na Associação Brasileira de Daseinsanalyse. Curso complementar sobre Change in complex sistems no Massachusetts Institute of Technology MIT- Cambridge. Professor no Instituto Piéron de São Paulo do Programa de Especialização em Análise Existencial. Professor e artista plástico (portraits) com participação no Salão Paulista de Belas Artes e obras em coleções particulares. Suas pesquisas abrangem Heidegger, poesia, artes visuais e pensamento oriental.

 

  

Ney Branco de Miranda

Diamond dust shoes: a concepção de arte em Heidegger é anacrônica?”

Resumo: A partir da discussão de Jameson sobre arte moderna e contemporânea em “Pós-Modernismo – a lógica cultural do capitalismo tardio”, particularmente de sua leitura e avaliação das formulações de Heidegger sobre a obra de arte, debateremos a própria interpretação do autor marxista, apontando algumas dificuldades em seu pensamento, assim como a atualidade da reflexão de Heidegger sobre o assunto.

Mini-currículo: Doutor em Filosofia, psicanalista e, durante nove anos, professor de teoria psicanalítica na Universidade Presbiteriana Mackenzie. 

 

 

Paulo Eduardo Rodrigues Alves Evangelista

"Heidegger e a conversão de Paulo: interpretação da Epístola aos Gálatas"

Resumo: No curso “Introdução à Fenomenologia da Religião” (1920-21), Heidegger põe em operação seu método fenomenológico na interpretação das Epístolas Paulinas, fundado na natureza indicativo-formal dos conceitos filosóficos. Sua tarefa é resgatar a experiência de vida fáctica oculta sob a teorização filosófica. Encontra, então, na Epístola aos Gálatas um documento da conversão de Paulo. Tornar-se cristão é o sentido de execução da experiência de vida fáctica. É uma experiência original e pré-teórica que encontra na proclamação sua expressão. A análise libera a luta religiosa como postura fundamental de Paulo, assumida na fé. Na fé, vive-se (atualiza-se) a temporalidade originária como morte com Cristo e espera da parusia. A luta se opõe à segurança do cálculo da data da parusia e da obediência à lei mosaica. Explicitar a conversão de Paulo, sentido de execução da experiência de vida fáctica testemunhado na Epístola aos Gálatas, é a tarefa deste trabalho.

Mini-currículo:  Psicólogo clínico formado pela PUC-SP. Mestrando em Filosofia pela PUC-SP, sob a orientação da Prof. Dra. Dulce Mara Critelli.  Tema da dissertação: interpretação das Epístolas Paulinas por Heidegger no curso “Introdução À Fenomenologia da Religião” (1920-21).

  

 

Paulo Roberto Monteiro de Araujo       

"Edward Hopper e Heidegger: o desvelamento da solidão"               

Resumo: Heidegger se refere à arte como sendo a salvaguarda criadora da verdade na obra. O artista ao criar não está envolvido com a sua subjetividade, mas com a verdade da própria criação como arte. Só saindo daquilo que lingüisticamente é habitual que o artista pode revelar a verdade da obra de arte. A originalidade da obra é a sua verdade como estando em sua determinação própria, sem a objetivação da linguagem. Eis porque um dos maiores  pintores americanos do século XX, Edward Hopper, consegue transmitir em seus quadros de cenas simples do cotidiano o universo solitário e doloroso do homem urbano contemporâneo. As cenas cotidianas dos quadros de Hopper perdem todo o seu caráter objetivado para revelar a dor, a solidão que se mostra na dimensão do ser em sua originalidade artística. A presente comunicação tem como propósito relacionar a questão do fazer artístico em Heidegger com a obra de Edward Hopper.

Mini-currículo: Graduado em Filosofia pela UFRJ, mestre em Filosofia pela USP e doutor em Filosofia pela UNICAMP. Professor adjunto na Faculdade de Filosofia, Letras e Educação da Universidade Mackenzie, onde é atualmente professor do programa de Pós-graduação em Arte, Educação e História da Cultura. Tem diversos artigos publicados, entre eles: "João Cabral de Melo Neto e Nietzsche: razão e pulsão na criação artística"; in: Todas As Letras  (C) - Revista de Língua e Literatura (UPM), São Paulo, ano 3, número 3, 2001. "Guiramães Rosa: o feminino ocultado"; in:  Todas As Letras (G) - Revista de Língua e Literatura (UPM), São Paulo, ano 7, número 7, 2005. Livro publicado (tese de doutorado): Charles Taylor: para uma ética do reconhecimento, pela Editora Loyola, 2004. É editor acadêmico da revista Arte, Educação e História da Cultura

 

 

Rafael Araújo Leal

“O conceito de arte no Zen e o pensamento pós-metafísico”

Resumo: Desde o início de sua atividade docente, Heidegger desenvolveu um criativo e inovador diálogo entre o seu pensamento e aquele tradicional japonês, em especial o zen budista. A partir deste mútuo reconhecimento, o presente trabalho quer apontar para um modo possível onde a compreensão oriental de arte enquanto caminho, e a concomitante experiência do vazio e do simples nela cultivada, pode ser apreendida em consonância com as considerações não objetificantes de Heidegger acerca da existência humana. Para tanto, explora-se tanto elementos de práticas zen budistas, por exemplo, da arte do chá e da esgrima, como conceitos desenvolvidos por Heidegger no seu esforço de articular um pensamento pós-metafísico.

Mini-currículo: Mestre em Administação pela UFSC; professor de graduação e pós-graduação da UniFAE; coordenador de Planejamento Estratégico da UniFAE; pesquisador das áreas de filosofia da arte, zen budismo e fenomenologia. Foi professor visitante e Country Director do Lauder Institute - Wharton School – University of Pennsylvania; coordenador dos cursos de Logística, Recursos Humanos e do Núcleo de Relações Internacionais da UniFAE.

 

 

Reginaldo Menezes Barros        

"Arte e  autenticidade em Heidegger"

Resumo: Nesta comunicação, procuro explorar e avaliar a pertinência de uma interpretação fenomenológica do pensamento de Heidegger sobre arte e autenticidade, a partir do des-velamento (Un-verborgenheit), como tradução pensante da alétheia grega. Os conceitos de autenticidade e des-velamento apontam para aquilo que na arte permanece impensado como uma situação, um “aberto da intenção” na compreensão do “ser situado” na produção de mundo, uma disposição (Benfindlichkeit) do ser-à-mão (Zuhandenheit) em suas dimensões de acontecimento e de finitude. Neste sentido, nos orientaremos, poiéticamente, na medida que compreendemos nesta relação a necessidade e o impulso (Stimmung) do homem de criar algo que não se repete, orientada na arte ou através da arte para uma disposição autêntica, como ser-no-mundo (in-der-Welt-sein).

Mini-currículo: Bacharel e Licenciado em Filosofia pela PUC-Rio.  Mestrando na Universidade Gama Filho-RJ, sob a orientação de Felipe Ceppas e co-orientação de Emmanuel Carneiro Leão. Aprovado recentemente para o cargo de professor substituto do Colégio Pedro II – RJ. Formando da escola de estudos gestálticos (Instituto SAT-Brasília), sob orientação do Dr. Cláudio Naranjo. Músico formado em harmonia funcional, composição e arranjo pelo Maestro Yan Guest.

 

 

Rodrigo Rizério de Almeida e Pessoa 

“A transcendência do Dasein em Heidegger”

Resumo: A palavra transcendência se origina do latim transcendentia, que remonta à idéia de uma ultrapassagem, um “subir” ou “escalar”. O mais das vezes a palavra é usada em uma significação teológica, equivalendo ao “estado ou condição divina”. Invertendo essa significação, Heidegger defende que a transcendência constitui o “estado ou condição humana”, ou melhor, trata-se de um constitutivo fundamental do Dasein. A existência deste consiste em uma “transcendência finita”, graças a qual torna-se possível o encontro com os entes dentro do mundo. A transcendência ocorre antes de todo comportamento do Dasein com o ente, seja ele científico ou artístico. Isto é, para comportar-se com o ente, este precisa ter sido antes ultrapassado. Ou seja, todo comportamento do Dasein, como a arte, só é possível porque ele é transcendência.

Mini-currículo: Graduado em Filosofia pela Universidade Estadual de Montes Claros (Unimontes). Mestrando em Filosofia pela Universidade Federal de São Carlos (UFSCar). Dissertação: filosofia contemporânea/Heidegger, sob a orientação do Prof. Dr. Bento Prado de Almeida Ferraz Júnior. Publicação: "O modo de ser cotidiano do Dasein: o conceito de de-cadência em Ser e tempo". Revista do Encontro de Pesquisa em Filosofia (UFMG, CD-ROM, 2005). Comunicação: "O acontecer da transcendência na relação entre o ente humano e o ente subsistente". In.: VIII Encontro de Pesquisa na Graduação em Filosofia (USP – 2005).

 

 

Vagner Sassi

“Pensamento e poesia na proximidade da origem”

Resumo do trabalho: A experiência do pensamento, tal como proposta por Martin Heidegger –  sobretudo a partir de suas considerações não objetificantes acerca da linguagem, tecidas a partir da década de 40 –, aproxima-se daquela outra, a da experiência artística, compreendida não em termos metafísico-estéticos, mas, antes, originário-acontecenciais. Nesse contexto, pretende-se abordar um modo a partir do qual seja possível compreender uma tal proximidade em termos de vizinhança, reconduzindo as referências de espaço e tempo a uma abordagem pré-metafísica. Uma tal vizinhança, aquém de toda e qualquer filosofia da arte, guarda tanto a identidade como a diferença de pensamento e arte, permitindo tanto ao pensador quanto ao artista uma apreensão originária, a saber, direta e criativa do real.

Mini-currículo: Licenciado em Pedagogia pela Universidade Tuiuti do Paraná. Mestre em Filosofia (PUC-RS). Doutorando em Filosofia (PUC-RS). É professor na UniFAE, Centro Universitário Franciscano do Paraná e desenvolve pesquisas nas áreas de ética, fenomenologia, filosofia grega e diálogo entre Cristianismo e Zen budismo.

 

 

Vicente de Arruda Sampaio 

 “Al-qeia e Ath: desvelamento e cegueira – uma semelhança estrutural na origem da literatura ocidental”

Resumo: Al-qeia e Ath: desvelamento e cegueira. Este título deve sintetizar o nexo buscado: uma semelhança estrutural entre a experiência grega da alétheia e da áte mítica na Ilíada. Com as traduções de alétheia por "desvelamento" e de áte por "cegueira" já está entrevisto qual é o sentido desta semelhança, a saber, uma privação: desvelamento e cegueira são privações que mostram aspectos essenciais da experiência grega da linguagem, na qual radica originariamente a própria literatura ocidental. Confrontando as perspectivas dos estudos clássicos com as da obra de Heidegger, o presente trabalho pretende promover uma Auseinandersetzung, um toma-lá-dá-cá entre elas, de modo a mostrar como, já na origem da experiência grega da linguagem, é possível observar traços da condensação poética (Dichtung) que, segundo o pensamento heideggeriano, caracteriza a obra de arte como lugar de guarda da verdade do Ser.

Mini-currículo: Graduação, mestrado e doutorando em Filosofia pela UNICAMP. Sua dissertação trata da fenomenologia-hermenêutica de Ser e Tempo. Representa a UNICAMP no concurso da ANPOF 2006. Foi agraciado com uma bolsa DAAD-CAPES em 2006, devendo passar o ano de 2007 em Freiburg, Alemanha, sob a orientação do Prof. Günter Figal. É também tradutor do alemão, inglês e grego antigo.