Colóquio 2007

 

XII COLÓQUIO HEIDEGGER, "Pode um Deus ainda nos salvar?"

(PUCSP,  Rua ministro Godoi, 969 – Auditório 239, 26 de outubro de 2007, das 13h30 às 17h30, 27 de outubro de 2007, das 09h00 às 17h30)

 

 

 

Promoção:

PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM FILOSOFIA – UNICAMP

PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO PSICOLOGIA CLÍNICA  – PUCSP

GRUPO DE PESQUISA EM FILOSOFIA E PRÁTICAS PSICOTERÁPICAS – GFPP

GT HEIDEGGER DA ANPOF

 

Coordenador Geral

Zeljko Loparic

 

 

Coordenador Adjunto

José Carlos Michelazzo 

 

 

Assistentes de Coordenação

Maria de Fátima Dias

Eder Soares Santos

 

 

 

 

PROGRAMA DAS COMUNICAÇÕES   

 

SEXTA-FEIRA, 26/10/2007 

17h00 – Primeira sessão de Comunicações (Prédio PUCSP) 

Comunicação 1  (sala 301)   

Paulo Roberto Monteiro Araújo (MACKENZIE), “Poesia e pensamento: abertura para o sagrado?”

Presidente: Marcelo Fabri 

 

Comunicação 2  (sala 302)  

Paulo Eduardo Rodrigues Alves Evangelista (PUCSP), “O Dia do Senhor virá como ladrão noturno” (1 Ts 5,2): Heidegger e São Paulo”

Presidente: Alexandre de O. Ferreira 

 

Comunicação 3  (sala 303)  

Hélia Maria Soares de Freitas (UERJ), “As estruturas significativas em geral e o discurso como expressão de uma significância sedimentada”

Presidente: Róbson R. dos Reis

 

Comunicação 4  (sala 306)  

Luis Eduardo Franção Jardim (PUCSP/USP), “Da arte à afinação fundamental”

Presidente: Eder S. Santos

  

Comunicação 5  (sala 308) 

Willis Santiago Guerra Filho (UNIRIO/PUCSP), “Necessidade e conseqüente possibilidade de um pensamento filosófico pós-metafísico e onto-teo-lógico:  o pensamento possibilista,  possibilitador de salvação”

Presidente: Claudia Drucker

 

SÁBADO, 27/10/2007 (Prédio PUCSP)

11h30 – Segunda sessão de Comunicações  

Comunicação 6  (sala 301)  

Antonio Almeida Rodrigues da Silva (UMESP), “A ausência de nomes sagrados: notas sobre o anúncio do advento do divino feito por Martin Heidegger”

Presidente: Edgar Lyra

 

Comunicação 7  (sala 302)  

Carla Regina Saudades LLoret (PUCSP), “A invisibilidade do sagrado”

Presidente: Paulo Roberto M. Araújo

 

Comunicação 8  (sala 303)  

Eder Soares Santos (UEL), “Ciência: nosso último Deus?”

Presidente: Róbson R. dos Reis

  

Comunicação 9  (sala 304)  

Alexandre de Oliveira Ferreira (UNICAMP), “A Kehre como re-ligio ao Ser”

Presidente: Marcelo Fabri

 

Comunicação 10  (sala 309)  

Rodrigo Rizério de Almeida e Pessoa (UFSCAR), “O Conceito de Transcendência em Heidegger”               

Presidente: Claudia Drucker

  

Comunicação 11  (sala 312)  

Jairo Ferrandin (USF) e Renato Kirchner (USF), “O objeto e a tarefa da fenomenologia da religião em Heidegger”               

Presidente: Willis Guerra

  

Comunicação 12  (sala 313)  

João Paulo F. Barretta (PUCSP), "A crítica de Heidegger a Husserl nos Seminários de 1925 e a sua concepção de experiência"          

Presidente: Hélia Maria S. de Freitas

  

 

RESUMO E MINI-CURRÍCULO 

Alexandre de Oliveira Ferreira (UNICAMP) 

“A Kehre como re-ligio ao Ser”

Resumo: Segundo Heidegger, a assim denominada Kehre, a inflexão que ocorre em seu pensamento a partir da segunda metade dos anos trinta, poderia ser pensada como a mudança da pergunta pela sentido do ser para a pergunta pela verdade  do ser. Essa mudança conceitual na questão do ser representa uma nova forma de acesso a ele, na qual o pensamento abandona progressivamente a temporalidade do Dasein como horizonte transcendental no qual é desdobrado o sentido, voltando-se cada vez mais às manifestações epocais do Ser ele-mesmo. A partir desse pressuposto, procurar-se-á analisar até que ponto pode-se compreender a afirmação de Jean Grodin, em seu livro Le Tournant dans la Pansée de Martin Heidegger, segundo a qual a Kehre encerraria uma dimensão religiosa na qual a palavra “religião” é pensada em seu sentido etimológico, como re-ligio,  reatamento à origem, ou seja, como conversão ao Ser. 

Mini-currículo: Mestre em filosofia pela UNICAMP. Doutor em Filosofia pela UNICAMP. Estágio de dois anos de “Doutorado Sanduíche” na Universidade de Freiburg (Albet-Ludwigs-Universität Freiburg ) - Alemanha. (Bolsista DAAD). Professor de Filosofia na  Faculdade Padre João Bagozzi. Curitiba-PR.  Publicações: "Hermenêutica Fenomenológica, Temporalidade e Historicidade: a tentativa de Heidegger de fazer da ontologia a ciência do ser". Modernos e Contemporâneos – A Tradição Fenomenológica, CEMODECON, IFCH – UNICAMP. Unicamp, v. 2, 2002. "A Tese de Heidegger Sobre o Ser em Kant". Modernos e Contemporâneos – Kant - CEMODECON, IFCH – UNICAMP. Unicamp, v. 1, 2000. 

 

 

Antonio Almeida Rodrigues da Silva (UMESP)        

“A ausência de nomes sagrados: notas sobre o anúncio do advento do divino feito por Martin Heidegger”

Resumo: O trabalho pretende percorrer a abordagem feita por Martin Heidegger, no tocante ao problema de Deus. Sabe-se que depois da superação da metafísica e do abandono do Deus da filosofia, o pensamento de Heidegger pôde ser considerado sem-Deus. Curiosamente, tal pensamento abriu-se – esperançosamente – para o divino. Contudo, o filósofo experimentara o ser como o sagrado, mas não havia experimentado Deus – prerrogativa exclusiva do poeta Hölderlin. A tarefa do poeta consistia em nomear os deuses em resposta ao seu chamado. Assim, o poeta pode ser considerado como um “semideus” e, por conseguinte, está entre o povo e os deuses, encarregado de trazer o divino de volta para o povo. Nomear, então, quer dizer trazer à linguagem. Fato que, em se tratando do sagrado, na maioria das vezes, os seres humanos devem apenas silenciar, pois estes – nomes sagrados – estão ausentes. 

Mini-currículo: Graduado em teologia pela Universidade Metodista de São Paulo. Atualmente, faz mestrado em Ciências da Religião e Licenciatura em filosofia. Pesquisa no mestrado a “série retirantes” do pintor brasileiro Cândido Portinari, à luz dos estudos feitos pelo filósofo Martin Heidegger e pelo filósofo Paul Tillich, sobre as artes. Publicações no ano de 2007: Relação entre espaço e lugar no pensamento de Martin Heidegger; Conflitos polissêmicos dos símbolos sagrados: agressão, exclusão e alienação no discurso “libertador” das religiões (Revista Correlatio da Associação Paul Tillich do Brasil). Membro do corpo editorial da referida revista. 

 

 

Carla Regina Saudades LLoret (PUCSP)       

“A invisibilidade do sagrado” 

Resumo: O trabalho acolhe a questão da imagem e suas confluências, no trinômio - artes visuais, questão do sagrado e mística apofática - presentificados, no sentido de levar ao aberto, estabelecendo uma mediação entre as fotografias da artista cubana Marta Maria Perez Bravo com alguns conceitos de Martin Heidegger (espaço-entre, das Ereignis, vigência e habitar) e com os de Meister Eckhart (desprendimento, silêncio e dissolução das imagens, os quais apontam para o Abgrund). Três temporalidades distintas buscam correspondências que resguardam e desvelam a essência originária, a mais piedosa, aquela que permanece nos vestígios de uma escuta impronunciada do próprio pensamento. Nesse exercício hermenêutico, encontramos, na obra da artista, o vazio que conserva a si mesmo como condição para a arte acontecer nas fronteiras das idéias. 

Mini-currículo: Graduada em Licenciatura Plena em Ciências Sociais da PUC do Rio Grande do Sul (1984). Mestre em História da Arte - ECA/USP  (2003). Doutoranda no Programa de Estudos Pós-Graduados em Ciências da Religião da PUC de São Paulo. Curadora de artistas latino-americanos. 

 

 

Eder Soares Santos (UEL)

“Ciência: nosso último Deus?”

Resumo: O objetivo desta comunicação é comentar e analisar a seguinte frase de Heidegger: “a ciência é a nova religião”. Procurar-se-á apresentar as conseqüências de uma tal idéia, procurando indicar, por um lado, que a ciência tomada como o único horizonte de compreensão do homem ocupa o lugar central de um Deus, por outro lado, apontar-se-á uma outra perspectiva - oferecida pelo próprio Heidegger - para essa compreensão do homem a partir de um horizonte científico.

Mini-currículo: Doutor em Filosofia pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). Desenvolveu uma tese sobre a teoria do amadurecimento pessoal de D. W. Winnicott e o conceito de acontecência (Geschichtlichkeit) em Heidegger. Uma parte de seu doutorado foi realizada em Friburgo, Alemanha, sob orientação da Profa. Dra. Ute Guzzoni. É membro do Grupo de Filosofia e Práticas Psicoterápicas da PUCSP (Grupofpp) e membro do Grupo de trabalho em Filosofia e Psicanálise da ANPOF. Atualmente é professor colaborador na Universidade Estadual de Londrina no Paraná.  

 

 

Hélia Maria Soares de Freitas (UERJ)       

“As estruturas significativas em geral e o discurso como expressão de uma significância sedimentada”

Resumo: Com o presente trabalho pretendemos abordar, em primeiro lugar, a faticidade, a disposição e a compreensão tal como esses fenômenos são concebidos em Ser e Tempo e nos cursos prévios em que Heidegger expõe essas noções, destacando em que medida a relação entre esses existenciais aponta para estruturas significativas em geral. Em segundo lugar, analisaremos o modo como a relação entre compreensão e disposição se revela como a instância a partir da qual são constituídas as significações. Por fim, num último momento, será analisado o discurso em articulação com esses três momentos, como expressão de uma significância sedimentada. 

Mini-currículo: Graduada em Filosofia pela Universidade Federal de Santa Maria (UFSM). Mestre em Filosofia pela Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), sob orientação do Prof. Dr. Róbson Ramos dos Reis. Doutoranda pelo Programa de Pós-Graduação em Filosofia da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ), sob orientação do Prof. Dr. Marco Antônio Casanova.

 

  

Jairo Ferrandin (USF) e Renato Kirchner (USF) 

 “O objeto e a tarefa da fenomenologia da religião em Heidegger” 

Resumo: A partir dos textos reunidos no volume 60 das obras completas, mostrar como Heidegger compreende o objeto e a tarefa próprios da fenomenologia da religião. Embora o volume 60 contenha também os textos “Os fundamentos filosóficos da mística medieval” (1918/19) e “Agostinho e o neoplatonismo” (de 1921), a atenção da comunicação volta-se para a “Introdução à fenomenologia da religião”, preleção dada pelo filósofo na Universidade de Friburgo no semestre de inverno de 1920/21. Para cumprir o propósito, será dada especial atenção ao capítulo 1 (“A interpretação fenomenológica da espístola aos Gálatas, §§ 14 a 16) e ao capítulo 2 (“Tarefa e objeto da filosofia da religião”, §§ 17 a 22). É fundamental evidenciar como Heidegger se confronta com a experiência religiosa, desenvolvendo, a partir dela, uma compreensão filosófica genuína da vida humana. Na perspectiva da interpretação fenomenológica das epístolas paulinas, a vida humana passa a ser vista em seus caracteres originários e em sua peculiar dinâmica constituidora.  

Mini-curriculo: Jairo Ferrandin: Doutorando em filosofia pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo; tese: “Facticidade e finitude: a fenomenologia da religião em Martin Heidegger”; orientadora: Salma Tannus Muchail. Mestrado em filosofia pela Universidade Federal do Rio de Janeiro; dissertação: “A essência da ciência moderna em Martin Heidegger ” (2005); orientador: Gilvan Luiz Fogel. Possui graduações em Teologia pelo Instituto Franciscano de Antropologia (2001) e em Filosofia pela Universidade São Francisco (1997). Atualmente, é membro do Instituto Franciscano de Antropologia e professor na Universidade São Francisco. 

Mini-curriculo: Renato Kirchner: Doutorado em filosofia pela Universidade Federal do Rio de Janeiro, tese: “A temporalidade da presença: a elaboração heideggeriana do conceito de tempo (2007); orientador: Gilvan Luiz Fogel. Mestrado em filosofia pela Universidade Federal do Rio de Janeiro, dissertação: “A experiência do pensamento e a tarefa da filosofia segundo Martin Heidegger” (2000), orientador: Gilvan Luz Fogel. Possui graduação em Filosofia pela Universidade São Francisco (1991), cursou dois anos de teologia no Instituto Teológico Franciscano, Petrópolis. Colaborador da Editora Vozes de 1992 a 2002. Desde 2003 é editor da Editora Universitária São Francisco. Sócio da Associação Brasileira de Estudos Medievais (ABREM) desde 2005. É membro do Instituto Franciscano de Antropologia e professor na Universidade São Francisco. 

 

 

João Paulo F. Barretta

"A crítica de Heidegger a Husserl nos Seminários de 1925 e a sua concepção de experiência"

Resumo: Este trabalho tem por objetivo expor a crítica de Heidegger a Husserl nos seminários de 1925. A crítica incide sobre a fenomenologia transcendental, defendida por Husserl em 1913 em contraposição às tendências naturalizantes da consciência e das idéias. A crítica de Heidegger irá mostrar que o movimento fenomenológico não foi capaz de seguir sua própria máxima, “às coisas mesmas!”, com relação às descobertas decisivas da própria fenomenologia: a intencionalidade, o método, e a concepção de a priori. Desse modo não foi capaz de refletir sobre o modo de ser do psiquismo (ou sobre o sentido do ser em geral) e isso na medida em que se manteve preso ao problema tradicional do conhecimento absoluto e à concepção de que a relação primária com o mundo é a experiência sensorial (percepção sensível). Em contraposição a isso, Heidegger irá defender a tese de que a experiência básica (cotidiana) é a experiência de algo como algo, hermenêutica.

Mini-currículo: Graduação em Psicologia pela Universidade Mackenzie (1998). Mestre em Filosofia pela PUC-SP (2001). Doutorando em Psicologia Clínica pela PUC-SP (2002-2007). Título da tese: “Existência e Aparelho Psíquico: a crítica ontológica da psicanálise freudiana com base na analítica da existência de Martin Heidegger”. Orientador: Prof. Dr. Zeljko Loparic. 

 

  

Luis Eduardo Franção Jardim (PUCSP/USP)

“Da arte à afinação fundamental” 

Resumo: Em A Origem da Obra de Arte, o tornar-se obra na criação é um acontecer da verdade. A verdade acontece e se estabelece na tensão do combate entre o que se abre no mundo e a ocultação na terra. Porém, a obra, no ser-criada, se dá em seu caráter real efetivo somente para o resguardar. Heidegger nomeia de resguardar o deixar a obra ser uma obra. O resguardar da obra funda o Da-sein histórico a partir da conexão com o não-encoberto. Quando a arte acontece, um abalo atinge a história e esta tem início ou volta a iniciar-se. A arte funda história. Em Contribuições à Filosofia, Heidegger fala sobre o despertar de uma afinação fundamental para a virada e para o outro início. Pretendemos neste estudo examinar a possibilidade de relação entre a arte, no fundar o Da-sein histórico, e o despertar de uma afinação fundamental.

Mini-currículo: Graduado em Psicologia pela PUC-SP. Mestrando em Psicologia Clínica pela PUC-SP. Graduando do curso de Filosofia da USP. Aprimoramento Clínico em Daseinsanalyse pela PUC-SP. Terapeuta do Projeto Alcance da Associação Brasileira de Daseinsanalyse (ABD). 

  

 

Paulo Eduardo Rodrigues Alves Evangelista (PUCSP)      

“O Dia do Senhor virá como ladrão noturno” (1 Ts 5,2): Heidegger e São Paulo” 

Resumo: Esboçando sua fenomenologia da religião em 1920, Heidegger interpreta algumas epístolas de São Paulo. Sua tarefa é revelar nelas a ‘experiência de vida fáctica’ cristã, acessível apenas à fenomenologia. Na primeira epístola aos Tessalonicenses, Heidegger faz ver a temporalidade cristã como antecipação angustiada da incalculável nova aparição do já aparecido Messias (parousia). A antecipação é um modo de ter a si mesmo do Dasein. Nela, o tempo não é seqüência objetiva. Com isso, a proclamação de Paulo é exortação para que os Tessalonicenses estejam sóbrios e despertos para a parousia, a fim de que possam a reconhecer quando acontecer. Nosso objetivo é reconstruir a interpretação de Heidegger dessa epístola, explicando a antecipação como temporalidade do Dasein.

Mini-currículo: Psicólogo clínico formado pela PUC-SP. Mestrando em Filosofia pela PUC-SP, sob a orientação da Prof. Dra. Dulce Mara Critelli. Tema da dissertação: interpretação das Epístolas Paulinas por Heidegger no curso “Introdução à Fenomenologia da Religião” (1920-21).  

 

 

Paulo Roberto Monteiro Araújo (MACKENZIE)       

“Poesia e pensamento: abertura para o sagrado?” 

Resumo: Pensamento e poesia se entrecruzam no sentido de ambos estarem vinculados à experiência do esquecimento e do fechamento. Como salienta Beda Allemann, em seu Hölderlin e Heidegger, a experiência pensante do esquecimento do ser faz parte do mesmo destino que a experiência poética de fechamento da dimensão do sagrado. Deste modo, torna-se necessário o diálogo entre pensamento e poesia no que se refere à interpretação do modo existencial de viver da nossa época contemporânea com a ausência do sagrado. Sendo Hölderlin o poeta da questão do sagrado, ou ainda, da ausência deste, é ele que influencia Heidegger para o problema do perigo do esquecimento do ser. A presente comunicação tem como objetivo analisar não somente as influências de Hölderlin no pensamento de Heidegger, mas também verificar como ambos podem contribuir para análise do sagrado na cultural ocidental contemporânea. 

Mini-currículo: Graduado em Filosofia pela UFRJ. Mestre em Filosofia pela USP. Doutor Em Filosofia pela UNICAMP. Professor adjunto no programa de Pós-graduação em Arte, Educação e História da Cultura da Universidade Presbiteriana Mackenzie. Artigos publicados: “João Cabral de Melo Neto e Nietzsche: Razão e Pulsão na criação artística” (In: Todas As Letras. Revista de Língua e Literatura/UPM. Ano 3, número 3, São Paulo, 2001) e “Guimarães Rosa: o feminino ocultado” (In: Todas As Letras. Revista de Língua e Literatura/UPM. Ano 7, número 7, São Paulo, 2005). Publicou em 2004, pela Editora Loyola, o seu doutorado com o título: Charles Taylor: Para uma Ética do Reconhecimento. Em 2006 publicou pela editora Zouk, de Porto Alegre, o livro Identidades Contemporâneas: educação, política e arte. É editor acadêmico da Revista: Arte, Educação e História da Cultura

 

 

Rodrigo Rizério de Almeida e Pessoa (UFSCAR)      

“O Conceito de Transcendência em Heidegger”

Resumo: Embora se entenda comumente a transcendência como o estado ou condição de Deus, enquanto aquele que é ele mesmo Transcendência, Heidegger entende esse termo a partir do homem, ou melhor, do Dasein. A transcendência é a condição do Dasein, graças a que ele pode relacionar-se com o mundo do modo que lhe é próprio, isto é, é capaz de compreensão do ser. O Dasein, com efeito, embora seja um ente lançado entre os demais entes, contudo se distancia deles pela prerrogativa de existir. A transcendência, ademais, enquanto ser-no-mundo, é o que torna possível a entrada do ente no mundo, e com isso torna possível o vir ao encontro do ente do modo que lhe é próprio, ou seja, na totalidade do todo conjuntural do empenho ocupacional. Entretanto, fica aberta a questão de se o Dasein pode ou não se relacionar com uma transcendência infinita. 

Mini-currículo: Graduação em Filosofia pela Universidade Estadual de Montes Claros/MG. Mestrando pela Universidade Federal de São Carlos/SP. Artigo Publicado: "O Conceito de Duração em Bergson"; in: Revista Tabulae de Philosophia. Resumos em Congressos: “O modo de ser cotidiano do Dasein: o conceito de decadência em Ser e Tempo”. In.: III Encontro de Pesquisa em Filosofia da UFMG. Colóquio: XI Colóquio Heidegger/PUC-SP, 2006.

 

 

Willis Santiago Guerra Filho (UNIRIO/PUCSP)      

“Necessidade e conseqüente possibilidade de um pensamento filosófico pós-metafísico e onto-teo-lógico:  o pensamento possibilista,  possibilitador de salvação”

Resumo: O objetivo do trabalho é propor o desenvolvimento de um pensamento no sentido em que Heidegger se refere a das Denken, a ser denominado possibilista, e qualificado como teórico-poiético (ou poético-teorético), enquanto resultado de uma prática orientada teoricamente, logo, de um saber prático, sim, mas produtivo, por isso, “poiético”, e não de uma ação enquanto mera práxis ou de uma “téc(h)n(ét)ica”, reprodutiva.  Este seria um pensamento ainda filosófico, apesar de pós-metafísico, por se configurar como uma onto-teo-logia esvaziada de qualquer conteúdo religioso específico e da busca de certeza ou fundamentação, que se espera possa vir a propiciar o que Heidegger chamou a disposição para que (nos) apareça um Deus que possa nos salvar e, assim, (re)criar o(s) Deus(es) protetor(es) da Cidade planetária, ameaçada e ameaçadora, a fim de nos salvar.

Mini-currículo: Professor Titular do Centro de Ciências Jurídicas e Políticas da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UNIRIO). Professor Titular de Filosofia da Universidade Estadual do Ceará (UECE) - licenciado. Professor de Filosofia do Direito Assistente-Doutor dos Cursos de Doutorado e Mestrado em Direito da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUCSP), Adjunto do Curso de Mestrado em Direito da Universidade Candido Mendes (RJ) e Assistente-Associado da Pós-Graduação lato sensu da Universidade Presbiteriana Mackenzie. Doutor em Ciência do Direito (Universidade de Bielefeld, Alemanha), Livre-Docente em Filosofia do Direito (Faculdade de Direito da Universidade Federal do Ceará - UFC), Pós-Doutorado em Filosofia (Instituto de Filosofia e Ciências Sociais da Universidade Federal do Rio de Janeiro - UFRJ).