Colóquio 2010

 

XV Colóquio Heidegger, "Heidegger e o Pensamento Oriental"

(Auditório do Instituto de Filosofia e Ciências Humanas da UNICAMP, 22 a 24 de setembro de 2010)

 

 

Promoção:

Departamento de Filosofia – UNICAMP

Programa de Pós-graduação em Filosofia – UNICAMP 

Grupo de Pesquisa em Pensamento Japonês – GPPJ

Sociedade Brasileira de Fenomenologia – Seção São Paulo

GT Heidegger – ANPOF

 

 

Coordenação Geral:

Oswaldo Giacoia Jr. 

Antonio Florentino Neto

 

Coordenação Adjunta:

José Carlos Michelazzo 

Eder Soares Santos

 

 

 

PROGRAMA DAS CONFERÊNCIAS

 

Quarta-feira, 22/09/2010 

13h30 – Cadastramento

13h50 – Abertura

Prof. Dr. Oswaldo Giacoia Jr.

 

14h00 – Conferência 1

Prof. Dr. Zeljko Loparic (PUC-SP/Unicamp), “Heidegger e a Escola de Kyoto”

 

15h00 – Conferência 2

Prof. Dr. Agustín Jacinto Zavala (México), “Heidegger na Filosofia de Nishida Kitarō” 

 

16h00 – Intervalo

 

16h30 – Conferência 3 

Prof. Dr. Robson Ramos dos Reis (UFSM), “O não, o nada e a negação da vontade”

 

17h30 – Conferência 4

Prof. Dr. John Maraldo (USA), “Duas Maneiras de Percorrer o Caminho: o Denkweg de Heidegger e a Intuição voltada-para-a-Ação de Nishida.” 

 

18h30 – Fim da Sessão

 

Quinta-feira, 23/09/2010  

09h00 – Conferência 5

Prof. Dr. Antonio Florentino Neto (Unicamp), “O inevitável diálogo com o mundo oriental” 

 

10h00 – Intervalo

 

10h30 – Conferência 6 

Prof. Dr. Katsuya Akitomi (Kyoto- Japão), “Sobre o Niilismo em Heidegger e Nishitani”

 

11h30 – Primeira sessão de Comunicações 

 

12h30 – Almoço

 

14h00 – Conferência 7

Prof. Dr. José Carlos Michelazzo (PUCSP/CNPq), “As habitações do humano como expressões do tempo: diálogo entre Heidegger e Dōgen”

 

15h00 – Conferência 8

Prof. Dr. Edgar Lyra (PUC-RJ), “Heidegger, Oriente e Tecnologia”

 

16:00 – Intervalo

 

16h30 – Conferência 9

Prof. Dr. Georg Stenger (Wurzburg – Alemanha), ”Da experiência do pensar e do pensar da experiência: O encontro entre Heidegger e Nishida” 

 

18h30 – Fim da Sessão do 2º dia

 

 

Sexta-feira, 24/09/2010

09h00 – Conferência 10

Prof. Dr. João MacDowell (FAJE – Belo Horizonte), “Heidegger e o pensamento oriental: confrontos”

 

10h00 – Intervalo

 

10h30 – Conferência 11

Prof. Dr. Bernard Stevens (Louvain – Bélgica), “A via do ser: o caminhar heideggeriano em direção ao Tao” 

 

11h30 – Segunda sessão de Comunicações 

 

12h30 – Almoço

 

14h00 – Conferência 12

Prof. Dr. Ligia Saramago (PUC-RJ), “O acontecer do caminho: Heidegger e a via taoísta” 

 

15h00 – Conferência 13

Prof. Dr. Marco Antônio Casanova (UERJ), “A aurora oculta no tempo: diálogo de Heidegger com o Oriente”

 

16:00 – Intervalo

 

16h30 – Conferência 14

Prof. Dr. Kah Kyung Cho (USA/Coreia), “A Saga de Uma Fonte Única: Um Diálogo Oriente-Ocidente ao Crepúsculo”

 

17h30 – Encerramento do Colóquio

 

 

RESUMO E MINI-CURRÍCULO

Agustín Jacinto Zavala (México) 

“Heidegger na Filosofia de Nishida Kitarō” 

 

 

Antonio Florentino Neto (UNICAMP) 

“(...)”

 

 


Edgar Lyra (PUCRJ)

“Heidegger, Oriente e Tecnologia”

Resumo: Heidegger ocupou-se em sua obra tardia com a hegemonia planetária da técnica moderna, cada vez mais incisiva na definição dos nossos hábitos, linguagem e horizontes de expectativa. Além de repisar os caminhos metafísicos que ocidentalizaram o mundo, e de questionar a essência da atual dominação, Heidegger voltou-se para alguns nichos de alteridade capazes irrigar o solo da objetificação técnica, por exemplo, para o diálogo com uma certa alteridade oriental. Precisamente na dificuldade desse diálogo ele enxergava uma promessa. Questão de fundo: se o próprio Oriente, geopoliticamente falando, acabou se ocidentalizando, de que modo, em meio ao império da tecnologia, com sua velocidade e enquadramento peculiares, a alteridade oriental interrogada por Heidegger poderia nos oferecer genuína seiva de transformação? 

Mini-currículo: Doutorou-se em filosofia pela PUC-Rio (2003). Foi representante dos alunos de pós-graduação, inaugurando as Semanas de Filosofia (SAF-PUC), hoje em sua sétima edição. Financiado pelo programa CAPES-PRODOC, leciona e desenvolve projeto no departamento de filosofia da mesma universidade. Ocupa-se prioritariamente dos possíveis modos de ser do pensamento filosófico no atual mundo técnico. Entre as atividades desenvolvidas está a tradução do texto de Martin Heidegger, Que quer dizer Pensar? (GA 8). Tem como publicações principais "Superação da Metafísica, Realidade Técnica e Espanto", in Natureza Humana, (5.1) e "Arendt, Heidegger, Pensamento e Juízo", in Hannah Arendt – Diálogos, Reflexões, Memórias, Ed. UFMG, 2001.

 

 

Georg Stenger (Wurzburg – Alemanha) 

“Da experiência do pensar e do pensar da experiência: O encontro entre Heidegger e Nishida” 

 

 

João Augusto MacDowell (FAJE – Belo Horizonte) 

“(...)”

 

 

John Maraldo (USA) 

“Duas Maneiras de Percorrer o Caminho: o Denkweg de Heidegger e a Intuição voltada-para-a-Ação de Nishida.” 

Resumo: A apresentação esclarece, por contraposição, duas abordagens de concepção de mundo. Desafiando a epistemologia tradicional, as primeiras obras de Heidegger sugerem como o mundo se esconde e se revela através do nosso envolvimento com as coisas, e não através de nossa compreensão conceitual das coisas. Sua obra posterior, de influência taoísta, volta-se para o pensamento poético e a reflexão além da ação instrumental, mas busca um Denkweg que perde de vista o engajamento corporal no mundo. Ao contrário, a filosofia de Nishida parte de uma experiência pura que precede o envolvimento tanto conceitual como prático com as coisas. Posteriormente, Nishida reconhece o contexto histórico e corporal de toda a experiência e se debruça sobre um tipo de conhecimento através da ação que também não depende de qualquer vontade intencional ou objetivo externo, porém clama por engajamento corporal. O mundo desvendado pela ‘ação-intuição’ de Nishida é um mundo que nos é permitido criar e o qual nos permitimos criar.

 

 

José Carlos Michelazzo (PUCSP/CNPq)

“As habitações do humano como expressões do tempo: diálogo entre Heidegger e Dōgen”

Resumo: A exposição pretende apresentar contribuições introdutórias para o problema do tempo ao colocar em diálogo dois pensadores: Heidegger e Dōgen. A estratégia para tanto será mostrar um continuum de três modos de habitação do humano, tomadas como maneiras de ser do homem, oriundas de três possíveis horizontes de interpretação do problema do tempo. Os dois iniciais apresentam-se sob a perspectiva de pensamento de Heidegger: o primeiro modo, o antropocêntrico, é o que se estabelece a partir de uma primeira interpretação do tempo enquanto permanência, como simples duração; o segundo, o existencial, do tempo como finitude ou impermanência relativa. O terceiro, o numinoso, sob a perspectiva de pensamento do Mestre Zen Dōgen, é apreendido a partir do tempo enquanto impermanência absoluta. Nesse continuum de modos de habitação estaria contida uma suposição de que existe um aprofundamento na compreensão do ser do homem que implicaria, por sua vez, em um correspondente aprofundamento no modo de interpretar o problema do tempo, ou seja, de apreendê-lo mais originariamente.

Mini-currículo: Graduado em Filosofia e em Psicologia. Mestre em Filosofia pela PUC de São Paulo. Doutor em Filosofia pela UNICAMP. Pesquisador do Programa de Pós-Doutorado da PUC de São Paulo, com financiamento do CNPq. Psicoterapeuta com formação em Análise Existencial (Daseinsanalyse). Professor e autor de artigos em revistas nacionais. Autor do livro: Do um como princípio ao dois como unidade – Heidegger e a reconstrução ontológica do real. São Paulo: FAPESP-Annablume, 1999. Coordenador adjunto dos eventos anuais do Colóquio Heidegger realizados na Unicamp. Secretário Executivo da Seção São Paulo da Sociedade Brasileira de Fenomenologia (SBF-SP). A atual linha de pesquisa é orientada para o diálogo entre o pensamento ocidental, especialmente Heidegger, e o pensamento oriental representado pelo Zen-Budismo e pensadores japoneses da Escola de Kyoto.

 

 

Kah Kyung Cho (USA/Coreia) 

“A Saga de Uma Fonte Única: Um Diálogo Oriente-Ocidente ao Crepúsculo”

Resumo: O envolvimento de Heidegger com o pensamento oriental está hoje devidamente documentado. No entanto, persistem sérias dúvidas no que diz respeito às motivações mais profundas desse envolvimento e as suas conseqüências intencionais ou não-intencionais. Perto do fim, Heidegger retratou sua expectativa de que a crise que atingiu nosso mundo seria de alguma forma evitada mediante as lições oriundas da tradição oriental. Mas seria prematuro concluir que ele havia descartado qualquer relevância que o pensamento oriental teria assumido em seu próprio pensamento. Tentarei preencher parcialmente o vazio criado pela presumida ‘reviravolta’ de Heidegger mediante as duas elaborações a seguir. A primeira, situando seu envolvimento com o Oriente numa perspectiva histórica. É uma tentativa significativa, de um importante filósofo ocidental, de incorporar o mundo oriental a um âmbito de pensamento ‘globalizado’. A segunda elaboração, procurando demonstrar, mais especificamente, a que idéia central do pensamento oriental Heidegger foi capaz de conectar-se.

 

 

Katsuya Akitomi (Kyoto- Japão) 

“Sobre o Niilismo em Heidegger e Nishitani”

 

 

Marco Antônio Casanova (UERJ)

 “A aurora oculta no tempo: diálogo de Heidegger com o Oriente”

Resumo: A publicação de textos póstumos de Heidegger tais como Contribuições à filosofia (Do acontecimento apropriativo), Meditação e Sobre o início impõe uma revisão radical de uma série de temas característicos do período posterior a assim chamada viragem (Kehre), que foram tratados a princípio sem a rica gama de material trazida por esses livros. Início, historicidade do ser, acontecimento apropriativo, indigência, niilismo como abandono do ser são apenas alguns dos temas que alcançam uma nova luz a partir dos textos acima citados. Esse fato que possui uma validade genérica encontra uma pertinência particular no caso do diálogo de Heidegger com o Oriente. Por conta disso, nós procuraremos tratar de cada um desses temas sob a perspectiva da discussão iniciada por Heidegger com o pensamento oriental.   

Mini-currículo: Doutor em filosofia pela Universidade Federal do Rio de Janeiro e pela Universidade Karl-Eberhard Tübingen (1999). Pós-doutorado na Universidade Albert-Ludwig Freiburg (2005-2006). Professor adjunto do departamento de filosofia da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (desde 1995). Vice-presidente da Sociedade Brasileira de Fenomenologia e Hermenêutica (desde 2004). Coordenador brasileiro do projeto de cooperação internacional “Questões fundamentais da hermenêutica filosófica: arte, ciência e política” firmado entre a UERJ,  a PUCRS e a Universidade Albert-Ludwig Freiburg. Livros publicados: Nada a caminho: impessoalidade, niilismo e técnica na obra de Martin Heidegger (Editora Forense Universitária, 2006); O instante extra-ordinário: vida, história e valor no pensamento de Friedrich Nietzsche (Editora Forense Universitária, 2003); Para Compreender Heidegger (Editora Vozes – 2007 – no prelo). É autor de diversos artigos relacionados ao pensamento de Heidegger e de Nietzsche e tradutor de obras de Heidegger, Nietzsche, Goethe, Scheler, Figal, Gadamer e Adorno. 

 

 

Róbson Ramos dos Reis (UFSM)

“O não, o nada e a negação da vontade”

Resumo: Na presente contribuição abordaremos o núcleo do tratamento ontológico oferecido por Heidegger para o problema da negação. Inicialmente será analisada a gênese ontológica da negação a partir da determinação finita de ser. O foco principal da análise é o conceito de nada e sua função na origem da negação. A seguir, examinaremos o problema da negação da vontade, tomando por base a noção de serenidade (Gelassenheit).  Concluiremos com o exame de um caso exemplar, o tema do sacrifício, concebido a partir da formação finita de mundo e da transição para o domínio do não volitivo, e enfocado indiretamente por meio de uma consideração da característica apofática do pensamento que corresponde à gratuidade e à finitude de ser.

Mini-currículo: Doutorado em Filosofia pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul em 1994. Atualmente é Professor Adjunto IV da Universidade Federal de Santa Maria. Publicou 20 artigos em periódicos especializados e 9 trabalhos em anais de eventos. Possui 7 capítulos de livros e 1 livro publicados. Possui 75 itens de produção técnica. Participou de 16 eventos no Brasil. Orientou 13 dissertações de mestrado, além de ter orientado 16 trabalhos de iniciação científica na área de Filosofia. Entre 1992 e 2006 participou de 8 projetos de pesquisa, sendo que coordenou 6 destes. Atualmente participa de 2 projetos de pesquisa, sendo que coordena 1 destes. Atua na área de Filosofia, com ênfase em Fenomenologia. Em suas atividades profissionais interagiu com 63 colaboradores em co-autorias de trabalhos científicos. Em seu currículo Lattes os termos mais freqüentes na contextualização da produção científica, tecnológica e artístico-cultural são: Heidegger, Fenomenologia, Ontologia, Hermenêutica, Filosofia alemã, Indicação formal, Ciência, Kant, Verdade e Lógica.

 

 

Zeljko Loparic (PUCSP/PUCRS/Unicamp)

“Heidegger e a Escola de Kyoto”

Resumo: O presente trabalho dispõe-se, de início, a explicitar a afirmação de Heidegger de que Nishida estaria “infetado pelo Ocidente”, ou seja, pela metafísica. Na seqüência, será levantada a questão de saber se, e em que medida, esse diagnóstico desfavorável se aplica tanto a algumas escolas do budismo tradicional, como a certos membros efetivos ou pensadores próximos da Escola de Kyoto, entre eles o conde Kuki, Tanabe e Nishitani. Numa terceira parte, o trabalho mostrará que, a começar já por Hisamatsu, aluno direto de Nishida, as novas gerações da Escola, representadas exemplarmente por Tsujimura e Ueda, retornaram, por vários caminhos, a modos de pensar orientais não-metafísicos, aproximando-se, dessa forma, do pensamento de segundo Heidegger, decididamente pós-metafísico, sem, contudo, identificar-se com este. Por fim, será indicado que a chave para a compreensão dessa não-identidade está na diferença entre o zen-budismo, principal inspiração não-metafísica da Escola de Kyoto, e o taoísmo clássico, fonte do pensamento oriental privilegiada por Heidegger.

Mini-currículo: Doutor em Filosofia pela Universidade de Louvain. No período de 1966-69, fez estágios de Pós-Graduação na Alemanha, tendo assistido o seminário sobre Heráclito de Martin Heidegger e Eugen Fink em 1966/67. É Professor-Titular aposentado da Unicamp (área de História da Filosofia) e Docente da PUCSP e PUCRS. Na Unicamp, fundou e dirigiu (1980-88) a revista Cadernos de História e Filosofia da Ciência e foi Coordenador do Centro de Lógica (1982-85). É Membro Fundador (1988) e foi o primeiro Presidente (1989-94) da Sociedade Kant Brasileira. Em 1999 iniciou, na PUCSP, a revista internacional Natureza Humana, dedicada à filosofia da psicanálise na perspectiva heideggeriana, da qual é Editor-Científico. É autor dos livros Heidegger réu (1990), Ética e finitude (1995; 2ª ed. 2004), Descartes heurístico (1997), A semântica transcendental de Kant (2000; 3a. ed. 2005), Sobre a responsabilidade (2003) e Heidegger (2004), além de numerosos artigos publicados em revistas nacionais e internacionais.