XXX Colóquio Heidegger 2025 & VIII Congresso da Sociedade Iberoamericana de Estudos Heideggerianos
Universidade do Estado do Rio de Janeiro,UERJ
Sendas do tempo
Em “Schopenhauer como Educador”, Nietzsche afirmava que uma filosofia que acreditasse remover ou solucionar o problema da existência através de um acontecimento político seria uma pseudofilosofia, uma filosofia de brinquedo. Schopenhauer promoveu um impacto estrutural na filosofia do século XIX, ao sustentar que uma filosofia genuína, não institucionalizada, deveria abordar o problema universal do sentido e valor da vida: a vida tem valor de ser vivida?
Ambos viram com incomparável suspeita e desdém as práticas e agendas filosóficas geradas por funcionários do Estado - professores de filosofia - nas instituições universitárias. Neste sentido, eles foram educadores de gerações que lecionaram a exigência de um filosofar genuíno, examinando temas e problemas não afastados da vida e produzidos pela máquina burocrática e institucionalizada da profissão filosofia. A filosofia posterior a Hegel conheceu diferentes manifestações da crítica radical, inclusive como crítica da filosofia universitária e institucionalizada. Entretanto, se a exigência de tornar a filosofia uma interpretação da experiência fáctica da vida, lecionada por Heidegger após a I Guerra Mundial, não era apenas uma crítica à burocratização e desfalecimento do filosofar, com o projeto de uma destruição da história da ontologia foi proposta uma radicalização sem precedentes na história da autocrítica da filosofia, do seu repertório de conceitos, problemas e métodos. Com a passagem para o pensamento da história do ser como acontecimento apropriativo, chega-se a um patamar ainda mais excepcional de radicalização, pois declara-se que a culminação da metafísica na era da técnica moderna simplesmente engolfa práticas, instituições, saberes, ciências, filosofia e a própria crítica numa forma totalizante de pensar e falar que esquece o seu esquecimento do essencial. Trata-se, assim ensinava a lição, de ultrapassar a linguagem da metafísica e sair da Filosofia.
O tema do 29º Colóquio Heidegger tem, portanto, um aspecto descritivo e avaliativo. Quais são os resultados da obra de Heidegger que precisam ser aprendidos? Quais foram ultrapassados? Há lições perigosas? Quem são os aprendizes destes ensinamentos? Deste modo, o tema tem importância destacada para os estudos históricos e filológicos sobre a obra de Martin Heidegger. Além disso, os problemas organizados em torno desta discussão possibilitam abordagens não apenas historiográficas, mas tratamentos que pertencem a áreas básicas de problemas filosóficos, como a teoria da intencionalidade e da linguagem, a filosofia da ação e da mente, a filosofia da história e a filosofia prática em geral.
Organização
Alexandre Ferreira
Eder Soares Santos
Róbson Ramos dos Reis
Tito Marques Palmeiro
